Médico de Tupã relata dificuldades e desafios durante a recuperação da covid-19
Nossa Lucélia - 24.09.2020
Dr. José Roberto usou as redes sociais para fazer seu relato
TUPÃ - Em uma postagem feita em sua página no Facebook, na última quarta-feira(24), o médico neurocirurgião José Roberto Pereira Guimarães, relatou as dificuldades enfrentadas durante a recuperação da Covid-19.
Em um trecho ele relata que “a dor e o desconforto são tão intensos, que você pensa em desistir. Quase pedi pra ser entubado, mas pensei na Keyla e na Carol, e não desisti”.
O médico anunciou sua contaminação no dia 9 de setembro e no dia 15 foi internando e desde então luta pelo reestabelecimento da sua saúde. Sua esposa e sua filha também contraíram a doença, porém já receberam alta hospitalar.
Dr. José Roberto Pereira Guimarães encerra seu relato com um apelo, “poucas horas de divertimento não valem uma vida e isso pode acarretar danos graves em pessoas inocentes. A tua liberdade finda ao começar a liberdade do teu próximo”.
Confira seu relato na íntegra:
O neurocirurgião também usou a sua rede social para fazer um agradecimento especial a equipe da Santa Casa de Misericórdia de Tupã, as pessoas que fizeram orações por ele e sua família e alertar as pessoas que insistem em se expor a doença.
“Eu venho, em meu nome, Roberto Guimarães, e em nome da minha família, Keyla e Ana Carolina, agradecer, de todo coração, á equipe da Santa Casa de Misericordia de Tupã por ter salvo nossas vidas, em especial, á equipe do setor de isolamentoUti do setor de tratamento da Covid 19-SARS COV 2, que não são heróis, mas Anjos do Senhor, abnegados, dedicados, amorosos, companheiros”.
Em especial, agradecer á Dra. Carol Machado, por quem já tinha um carinho de filha, que além de cuidar da saúde, também dedicou seu tempo a comprar alimentos para nossa família, quando não podíamos sair de casa; Dr. Luis Alberto Andrade Bueno, que dedicou várias noites em claro para compensar minha esposa, que ficou muito grave; Dra. Jessica Richard, sempre com um sorriso acolhedor, Dra. Ana Célia Golfeto, uma Irmã Querida, e, principalmente, ao Dr. Rennan Jiardulli, um ser humano especial, que mesmo com sequelas da Covid 19, se dedicou de corpo e espirito á nossa cura.
Também não posso esquecer do carinho, amor e dedicação da equipe paramédica: Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos de Enfermagem, equipe de higienização e alimentação, inclusive com recadinhos carinhosos de força e fé escritos nas nossa marmitas (Deus sabe o quanto isso foi importante) e os meus queridos fisioterapeutas: Marcão, Camacho, Lorraine, pela inestimável ajuda, quando estive prestes a pedir pra ser entubado.
Só quem viveu esses dias pode descrever a rotina duríssima daqueles profissionais, expostos a uma doença mortal, tanto que todos os médicos já tiveram Covid, e perdemos nosso querido Douglas para ela.
Macacões pesados, duas, três camadas de roupas, luvas duplas, face shield, mascaras N95, botas de borracha, em um calor extenuante, com pacientes muito instáveis, que precisam ser pronados de barriga para baixo pelo menos três a quatro vezes ao dia, para seus pulmões expandir.
Muitos funcionários vem de outras cidades, como Bastos, às 19h00 voltando à uma da manhã para casa. Isso sem falar nas humilhações e vilipendios, vindo de familiares que não aceitam as regras da Pandemia, mesmo tendo assinado um termo de consentimento no momento da internação.
Em caráter especial, agradecer ao Dr. Avelino Narciso, Dra Cristiane e família, Dra Camila, e toda a família Neuroclínica: Vanessa, Vera, Monique, Mayconn, Bruna pelo amor incontestável, e apoio pessoal, de orações e também alimentar, nesse período.
Agradecemos, também, aos irmãos da Igreja Batista de Tupã, seus pastores e missionaria Keilly, pelo apoio e orações, assim como cada cidadão desta cidade maravilhosa, cheia de amor e carinho, que orou por nos e nos apoiou a cada momento. Se antes já amava Tupã, agora virou paixão eterna.
Peço, entretanto, á população que se preserve. Essa doença é maligna, e destrói o seu físico, psicológico e mental. Se já era duro para nós, imagine para os idosos de idade avançada nos quartos ao lado. Uma hora de festa não vale uma vida inteira. E pessoas inocentes podem pagar o preço daquelas horas de divertimento.
A Pandemia está longe de terminar.
DEUS OS ABENÇOE. MUITO OBRIGADO, SENHOR.
Do mais profundo abismo, Clamei a ti, Filho de Davi, e o Senhor ouviu o meu lamento e nos socorreu.
Deus o tempo todo é bom!
Dr. José Roberto Pereira Guimarães
Fonte: Mais TupãVoltar para Home de Notícias
Lucélia - A Capital da Amizade O primeiro município da Nova Alta Paulista |