Dracena registra casos da variante brasileira do coronavírus; médica alerta que a evolução da doença é 'muito mais agressiva'
Nossa Lucélia - 05.03.2021
Foram coletadas 10 amostras para exames, realizados em Barueri (SP), e nove eram da variante conhecida como P.1.
DRACENA - A secretária-adjunta da Saúde em Dracena (SP), Geni Pereira Lobo Pesin, confirmou à TV Fronteira, nesta sexta-feira (5), que o município registrou casos da variante brasileira da Covid-19.
Através de coleta feita na cidade pelo Laboratório São Lucas, as amostras foram enviadas à empresa Dasa, uma rede de laboratórios, em Barueri (SP). O resultado dos exames apontou que, das 10 amostras analisadas, apenas uma não é a variante conhecida como P.1. Esta cujo resultado não comprovou a cepa o exame informou que se trata de outras linhagens.
Os resultados chegaram ao município nesta quinta-feira (4). Conforme a secretária-adjunta de Saúde, das 10 amostras coletadas, sete pessoas permanecem internadas. Os outros três pacientes morreram e foram infectados com a variante P.1.
A médica coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinada ao atendimento de pacientes com Covid-19 na Santa Casa de Misericórdia de Dracena, Aline Damasceno, informou que a confirmação da P.1 na cidade muda completamente todo o esquema de trabalho no enfrentamento da pandemia.
"Hoje estaremos em reunião o dia todo para tratar sobre isso. Iremos entrar em contato com o Hospital Emílio Ribas, procurar uma alternativa, saber um pouco mais a respeito dessa cepa. O comportamento dos pacientes, a evolução da doença é totalmente diferente e muito mais agressiva, isso já havia nos assustado com a evolução dos nossos pacientes, requer um pouco mais de estudo e de cuidado da nossa parte. Vamos tentar gerar um novo plano de ação para poder atender esses pacientes mais precocemente para poder intervir e agora buscar informações para poder montar um protocolo de atendimento para isso. Todos nós estamos muitos cansados, é muito complicado ver tanta gente nova morrendo. Vamos precisar preparar a equipe para atender", afirmou a médica.
Ela disse que é uma cepa mais agressiva, tem uma facilidade maior de disseminação e uma letalidade maior pelo fato de ter mais facilidade de adentrar a célula humana.
"A princípio, ainda o melhor é o isolamento social e evitar pegar a doença", alertou Aline Damasceno.
No dia 23 de fevereiro, o prefeito de Dracena, André Kozan Lemos (PATRIOTA), autorizou a coleta de amostras para identificar se a variante brasileira do novo coronavírus, conhecida como P.1, ou "variante de Manaus", já havia infectado algum morador do município.
O anúncio foi feito em uma transmissão ao vivo em rede social. Na ocasião, o chefe do Poder Executivo disse que não havia comprovação científica sobre a circulação da nova variante, mas que "indícios" mostravam essa possibilidade.
“Todos os indícios levam que a gente esteja já com essa cepa nova. Isso exige que a gente tenha redobrado os cuidados, principalmente os jovens, que andaram abusando, participando de festas clandestinas, nós tivemos o óbito de uma moça de 25 anos ontem, outra de 30 [anos] na semana passada, outra de 27. Todos os indícios levam que a gente esteja convivendo com a nova cepa. Além de tirar a vida de jovens, é um vírus que é mais rápido, evolui muito depressa. Quando a pessoa começa a ter falta de ar, ela já tem comprometimento pulmonar muito severo, e a gente não sabe qual vai ser o índice de sucesso do tratamento dessas pessoas”, frisou o chefe do Poder Executivo no dia 23 de fevereiro.
Até esta quinta-feira (4), de acordo com o boletim epidemiológico oficial, Dracena registrou 3.402 casos positivos de Covid-19 e 85 mortes provocadas pela doença. O município também informou, nesta quinta-feira (4), o registro de sete mortes, sendo o recorde de divulgação de falecimentos em um único dia, em apenas uma cidade, na região de Presidente Prudente.
MAIOR CARGA VIRAL - Um estudo feito por pesquisadores da Fiocruz aponta que adultos infectados pela variante brasileira P.1 do coronavírus, identificada primeiro no Amazonas, têm uma carga viral – quantidade de vírus no corpo – dez vezes maior do que adultos infectados por outras "versões" do vírus. Uma maior carga viral contribui para que a variante se espalhe mais rápido.
A pesquisa ainda não foi revisada por outros cientistas nem publicada em revista, mas está disponível on-line.
"[Se] a pessoa tem mais carga viral nas vias aéreas superiores, a tendência é que ela vai estar expelindo mais vírus – e, se ela está expelindo mais vírus, a chance de uma pessoa se infectar próxima a ela é maior", explicou Felipe Naveca, pesquisador da Fiocruz Amazonas e líder do estudo.
Os pesquisadores analisaram 250 códigos genéticos do coronavírus durante quase um ano. A amostragem cobriu o primeiro pico da doença, em abril, e o segundo, no final do ano passado e no início de 2021.
Eles perceberam que essa maior quantidade de vírus não acontecia, entretanto, nos homens idosos (acima de 59 anos). Uma possível explicação para isso é que a resposta imune de homens idosos tende a não ser tão eficiente de forma geral.
"Em homens mais velhos, a resposta imune já não consegue responder tão eficientemente, e aí não teve diferença sendo P.1 ou o outro [vírus]", apontou Felipe Naveca.
Também é possível que isso tenha acontecido nesse grupo porque a quantidade de pessoas analisadas nessa faixa etária foi menor, explicou o pesquisador Tiago Gräf, também autor do estudo, em uma publicação na rede social Twitter.
Felipe Naveca afirmou, entretanto, que não há relação entre quantidade de vírus no corpo e gravidade da doença ou, até mesmo, presença deles.
"Carga viral não está relacionada com gravidade – a gente tem pacientes com alta carga viral e sintomas muito leves ou até sem sintomas", disse o pesquisador.
A P.1 já vinha sendo apontada por vários pesquisadores ao redor do mundo como mais transmissível, por causa de mutações que ela sofre na região que o vírus usa para infectar as células humanas.
Fonte: TV Fronteira e G1 Presidente PrudenteVoltar para Home de Notícias
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