Objetos são quebrados em terreiro de candomblé e sacerdote acredita ter sido vítima de intolerância religiosa
Nossa Lucélia - 12.11.2021
Roberto Junior Rodrigues da Silva procurou a Polícia Civil, que investiga o caso inicialmente tratado como dano. Comunidade Axé Caminho das Águas fica no Jardim Jussara, em Dracena
DRACENA - A Polícia Civil investiga um caso de dano e vandalismo em um terreiro de candomblé, em Dracena (SP). A sede da Comunidade Axé Caminho das Águas fica na Avenida Expedicionários, no Jardim Jussara, e teve vários objetos quebrados que são relacionados à religião. O responsável pelo local, sacerdote Roberto Junior Rodrigues da Silva, de 30 anos, acredita se tratar de intolerância religiosa.
Silva relatou ao g1 que vai ao local diariamente. Na última quarta-feira (10), pela manhã, ele chegou à sede e já percebeu que havia algo estranho, antes mesmo de entrar.
"Na porta de entrada, tinha um vaso e nesse vaso tinha um fundamento [simbologia religiosa]. Quando cheguei, já vi que estava quebrado. Depois, vi que tinham alguns exus e assentamentos vandalizados, atabaques", falou.
Não houve arrombamento e ele acha que quem fez o ato tenha pulado o muro para entrar no imóvel. Além disso, o sacerdote ressaltou acreditar ser intolerância religiosa.
"Eles entraram e não quebram janela, porta. Entraram para quebrar meus pertences religiosos. Tinham outros objetos de valores e nada foi levado. Todo o restante ficou intacto. Creio que quem fez isso queria me desestabilizar. O intuito foi me prejudicar. Não foi só o dano material, teve o dano moral. Eu quero que seja tratado como intolerância religiosa", pontuou Silva.
Depois que viu o que havia acontecido, o sacerdote fez um vídeo e postou o conteúdo em suas redes sociais. Desde então, ele tem recebido apoio.
"Na hora do desespero, fiz apenas o vídeo e, como eram objetos de importância religiosa, fiz a limpeza. Tenho recebido muito apoio de pessoas de outras religiões, dos irmãos de fé também. Não esperava tamanho carinho", relatou.
Silva atua como sacerdote há mais de cinco anos em Dracena. No terreiro do Jardim Jussara, ele está há um ano.
"O local é um terreiro de candomblé há muitos anos. O sacerdote anterior morreu e a casa ficou inativa por um longo período. Há pouco mais de um ano, eu dei continuidade. Nunca tive problemas com os vizinhos, justamente porque lá já era um terreiro. Eles me respeitam muito, assim como eu os respeito", enfatizou.
O sacerdote trabalha como cabeleireiro na cidade e contou que nunca teve problemas com ninguém.
"Nunca sofri ataque, nunca tive problemas com ninguém. Nunca fui perseguido. Ando com meus trajes de sacerdote e nunca aconteceu nada. Não sei dizer quem foi, mas quem fez tem má índole", complementou.
Conforme o delegado Victor Fernando, da Polícia Civil, o caso foi registrado como dano, pois, primeiramente, é preciso descobrir a autoria. Se quem causou os estragos for identificado e confessar que a motivação foi por intolerância religiosa, o enquadramento do crime poderá mudar.

Fonte: g1 Presidente PrudenteVoltar para Home de Notícias
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