Lapidado por "lenda local", técnico vê sonhada volta do Osvaldo Cruz ao futsal como porta aos novatos
Nossa Lucélia - 19.11.2021


Ainda ligado ao futsal, professor Berinha relembra chances que teve quando participou do último time profissional osvaldo-cruzense na modalidade

OSVALDO CRUZ - A recente cogitada volta de Osvaldo Cruz ao cenário principal do futsal paulista é talvez a possibilidade mais próxima, no que diz respeito não apenas à busca da cidade, mas do Oeste Paulista, na vontade de ter mais uma equipe no esporte de alto rendimento. E quem sabe preencher uma lacuna – dentro da história de mais baixos do que altos – na relação da região com essas equipes (e seus desafios).

Porém, uma chance como essa, caso concretizada, poderia significar algo muito além do que palavras a serem escritas ou a satisfação afetiva de segmentos específicos. Uma proposta bem mais ampla ganha espaço para ser considerada. É a tal "indústria" do esporte, cujos efeitos podem ser vistos independentemente da modalidade, tamanho da cidade ou outros fatores usados como justificativa dentro dos discursos mais críticos e menos esperançosos.

E um dos entusiastas da ideia traz como propriedade para defender a iniciativa sua ligação direta com o futsal de Osvaldo Cruz, desde quando jogava nas escolinhas locais. Rogério Adriano Lopes, ou simplesmente Berinha, de 46 anos, tem uma trajetória dedicada ao futsal da Nova Alta Paulista. Isso graças ao olhar apurado de uma "lenda no esporte da região": Bassan. Falecido em 2020, aos 78 anos, atuou como atleta e técnico, principalmente no futsal. Em sua despedida, nomes como Edu Dracena lamentaram e relembraram os serviços prestados. 

Agora, Berinha espera que um novo time signifique para os jovens, eventualmente alcançados, a mesma via inicial de oportunidades que representou a ele, em caso de êxito nos planos divulgados. O profissional osvaldo-cruzense hoje trabalha nas escolinhas do município e é professor de educação física da rede estadual, na escola Dom Bosco, a mesma em que deu os primeiros chutes com a "bola pesada". Por isso, tem atuado também nos bastidores pela realização do projeto, como contou.

“Quando o último time saiu do cenário, ficou um gosto bem ruim mesmo. Havia a expectativa de que muitos jovens da região, que vinham das categorias menores, teriam chance no time principal. E a continuidade foi interrompida, deixando esse vazio. Espero que volte. Formamos grandes equipes, com parcerias, como de universidade, dando a chance a muitos de estudarem. É uma grande chance de amadurecimento para muitos, uma oportunidade como essa, caso aconteça”. (Berinha, técnico e professor em Osvaldo Cruz).

OS CAMINHOS ATÉ A ÚLTIMA DESPEDIDA - Entre 1993 e 1996, Berinha jogou na equipe osvaldo-cruzense, participante de disputas amadoras, como os Jogos Regionais, mas também das organizadas pela Federação Paulista da modalidade. Na época, o nome levava a marca do patrocínio majoritário, vindo de uma empresa do ramo da soja e seus derivados. Um exemplo do mesmo modelo é o atual Dracena, representante da região no cenário profissional e que busca o bicampeonato na Liga Paulista de Futsal (LPF). O time tem como apoio máster uma fábrica de vidros da região.

Por volta de 1997, como relembrou Berinha, a ajuda do pessoal da soja terminou, e o time ganhou nova identidade: o União Osvaldo-Cruzense, que seguiria dessa forma até o adeus, no fim da década de 2000. Nessa transição, Berinha, ainda pouco aproveitado pelo time de sua cidade, foi convidado por Bassan para defender Adamantina na Série Ouro federada. E a titularidade veio logo no início, aos 21 anos.

Porém, uma lesão o tirou da vida de atleta profissional, e surgiu o convite para integrar a comissão técnica do União. Não demorou muito, e com a saída do técnico Sérgio "Big Dog", Berinha assumiu o comando do time de cima. De 97 a seguir, o time permaneceu sem patrocínio máster. Os recursos eram levantados por meio da associação, pedindo apoio pelo comércio da cidade.

“Era um trabalho diário, de porta em porta. Conversando aqui, conversando ali. Era um esforço ainda maior. Quem ajudava mais tinha um espaço maior na camisa. E assim íamos. Era um trabalho bem mais coletivo.”

As dificuldades não impediram o time de obter seu auge em 2006, vencendo a Série Prata do Paulista. Em 2008, o apoio acabou minguando ainda mais, e o União entendeu logo depois que era hora de encerrar o ciclo. 

E POR QUE VOLTAR AGORA? - O cenário pode não ser considerado ideal para buscar ajuda econômica, mas Berinha é um dos que entendem como certa a hora de Osvaldo Cruz ter mais uma equipe buscando espaço no alto rendimento. O esporte do município já teve forte ligação com o basquete, assim como Presidente Prudente e Prudente Venceslau na região, chegando a ser casa de nomes como Magic Paula (natural da cidade) e Antônio Carlos Vendramini. Atualmente, o Osvaldo Cruz (o Azulão) disputa a quarta divisão do futebol paulista desde 2013.

O primeiro passo, como já divulgado, é conseguir apoio para a reforma do Ginásio João Torro Ovídeo. Se o apoio será buscado posteriormente por meio de uma associação, patrocínio máster ou outra forma de gestão, o assunto é visto como precoce, mas alvo da esperança do futsal da cidade.

“Parte daqueles atletas seguiram treinando, outros têm potencial para voltar. Com isso e uma base bem trabalhada, além de apoios pontuais, como citei, como uma universidade, por exemplo, a gente tem chance de formar uma equipe competitiva. A gente acredita. E seria um começo, algo para ser experimentado”, finalizou o treinador.




Fonte: Paulo Taroco _ ge

Voltar para Home de Notícias


Copyright 2000 / 2021 - All rights reserved.
Contact: Amaury Teixeira Powered by www.nossalucelia.com.br
Lucélia - A Capital da Amizade
O primeiro município da Nova Alta Paulista