Adamantinenses são condenados no Mato Grosso pela morte de Xuxinha; penas são de 25 e 29 anos
Nossa Lucélia - 18.11.2025


Richard Bortolo Jr. foi condenado a 29 anos de reclusão. Matheus Drago Schnoor a 25 anos

Adamantina (SP) - Após 17 horas de sessão do Tribunal do Júri, iniciada por volta das 8h desta segunda-feira (17) e encerrada à 1h da madrugada desta terça (18), os adamantinenses Matheus Augusto Drago Schnoor e Richard Bortolo Júnior, réus pelo assassinato de Everton Marcelo dos Passos, popular “Xuxa” ou “Xuxinha”, ocorrido em setembro de 2022, foram condenados por homicídio triplamente qualificado - por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima - além de ocultação de cadáver.

Richard Bortolo Júnior recebeu pena de 29 anos e 2 meses de reclusão, e Matheus Augusto Drago Schnoor, 25 anos e 10 meses. Segundo o promotor Luiz Fernando Rossi Pipino, responsável pela denúncia, ambos deverão cumprir a pena em regime inicialmente fechado. Eles permanecem presos no Centro de Ressocialização de Sorriso.

A denúncia foi fundamentada pelo promotor de justiça Luiz Fernando Rossi Pipino. A defesa dos réus poderá recorrer da decisão.

Relembre o caso - Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Mato Grosso, o crime ocorreu na madrugada de 7 de setembro de 2022, após uma discussão entre a vítima e os réus, que evoluiu para agressões físicas e depois para o homicídio e ocultação de cadáver.

A investigação apontou que os três estavam juntos em uma camionete S10, circulando pela área urbana de Sorriso, quando pararam o veículo e desembarcaram. A partir desse momento, iniciou-se uma discussão por motivo fútil, relacionada a despesas em uma casa noturna da cidade momentos antes.

Após o desentendimento verbal, segundo a denúncia, Matheus e Richard retornaram à camionete e deixaram Xuxinha na via pública. A discussão continuou por meio de chamadas de celular, quando então os dois voltaram com o veículo e atropelaram a vítima.

Em seguida, conforme descreve o Ministério Público, os denunciados desceram do veículo, agrediram Xuxinha com socos e pontapés, arrastaram-no até a carroceria da camionete e seguiram em direção à estrada do Rodoanel. As agressões nesse local foram presenciadas por uma testemunha, que relatou ter visto a vítima receber uma “coça”, expressão popular para designar uma surra.

Já em outro local, para onde a víitma foi levada desacordada e sem possibilidade de defesa, os dois a golpearam na região do pescoço, provocando a morte por esgorjamento. Para tentar ocultar provas do crime, o canivete utilizado foi colocado dentro da cueca da vítima, cujo corpo foi posteriormente arremessado no Rio Lira.

Depois do homicídio, os réus fugiram e retornaram à kitnet onde moravam, ainda sujos de terra e sangue, onde encontraram familiares e conhecidos. Questionados, disseram que haviam ido ao rio. Em seguida, lavaram as roupas e o veículo, na tentativa de eliminar vestígios.

Ainda conforme o MPMT, uma outra testemunha recolheu um documento e um chip de celular que caíram da vítima durante o ataque e os entregou à polícia. Seu relato, indicando que duas pessoas teriam cometido as agressões, contribuiu para direcionar a investigação e fundamentar o pedido de prisão preventiva dos suspeitos.

O corpo de Xuxinha foi encontrado dia 10 de setembro , no Rio Lira, próximo a uma ponte no anel viário da MT-242, em Ipiranga do Norte, por um pescador que acionou a Polícia Militar. O município fica a cerca de 60 km de Sorriso.

No mesmo dia, já com mandado de prisão preventiva expedido, os dois amigos se entregaram à Polícia em Comodoro, a aproximadamente 600 km de Sorriso. Já o corpo da vítima foi sepultado em 12 de setembro, em Adamantina .

Antes da elucidação do caso, as famílias dos três amigos chegaram a publicar postagens nas redes sociais informando que os três estavam desaparecidos . A situação foi noticiada pelo Siga Mais no dia 9 de setembro, dois dias após o crime.

Em memória ao domador de cavalos - A morte de Xuxinha chocou Adamantina, município de cerca de 35 mil habitantes, e Sorriso, com aproximadamente 120 mil moradores. Nas redes sociais, o representante do Ministério Público mato-grossense escreveu sobre o desfecho judicial para o crime. “Ontem, a justiça encontrou o seu caminho. Sorriso/MT e Adamantina/SP - duas cidades distantes - se uniram pelo mesmo propósito: honrar a vida de um domador de cavalos que jamais poderia imaginar ser assassinado pelos próprios amigos de infância. O eco da dor de uma família percorreu quilômetros até encontrar, aqui, acolhimento e verdade. E a memória daquele homem simples do campo, antes lançada às águas do Rio Lira na tentativa covarde de ser apagada, ontem emergiu intacta - resgatada pela verdade e devolvida à dignidade que sempre foi sua”, escreveu o promotor Luiz Fernando Rossi Pipino. “Duas cidades, um só coração. E uma certeza que permanece: nenhuma VIDA será esquecida quando o POVO decide fazer JUSTIÇA”, concluiu na publicação.

Fonte: Siga Mais



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