ELES ESTAVAM TÃO PRÓXIMOS DE NÓS
07 de setembro de 2011
Danilo Pelloso - Pessoas amontoadas em trens de carga. Crianças, adultos e idosos chorando, gritando e perguntando: para onde vamos? Os mais conscientes já sabiam o destino cruel na qual os esperavam. Campos, campos. Estes não verdejantes.
No início tudo eram flores. Havia até orquestra próxima a um grande crematório. Pessoas eram identificadas não por suas habilidades pessoais e sim pela sua origem racial. Todos dessemelhantes do objetivo estabelecido pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP), eram levados principalmente para o complexo dos campos de concentração de Auschwitz.
Auschwitz antigamente considerada a Fábrica da Morte, responsável por eliminar em torno de um milhão de pessoas. Uma das frases que li e que me impactou para este artigo escrever, foram os dizeres: seu filho entrou pela porta e saiu daqui por ali” de um membro da Schutzstaffel (SS - exército paramilitar do partido nazista) indicavando com o dedo a chaminé do crematório do campo de concentração de Auschwitz, em resposta a indagação de uma mãe aos prantos pelo desaparecimento do filho.
Não se pode dizer que esses e muitos outros fatos ocorreram culminando no cerne da Segunda Guerra Mundial. Partidários da NSDAP estavam em todos os locais, em todo momento, assim como a GESTAPO (Policia Secreta Alemã do Partido Nazista).
Certo dia lembrando de documentários desta época em que mostrava as atrocidades cometidas em nome da soberania ariana, estive a pensar como uma única pessoa seria capaz de provocar tamanha destruição através da arte da oratória e retórica que o mesmo possuía. Hoje a resposta a esta indagação, feita na época por mim, é muito convincente e segue: Intrínseco em todos os seres humanos esta a vontade de se diferenciar dos demais pelo simples fato de todos os seres humanos serem únicos. Criando diferenciação social ao mesmo, os indivíduos da sociedade irão aventurar-se na diferenciação de si pelo ego distorcido que possui, através de suas celeridades, podendo ser sublimes ou obscuras.
Acredito que o povo alemão aceitou de forma pacifica concordando com o comportamento distorcido de seu líder e fez-se prevalecer através de sua participação direta em todas as atrocidades cometidas, pelo fato da ausência de diferenciação social da época, relativa a este povo.
Não se pode dizer que eram pessoas cuja escassez de conhecimento fazia-se presente: pelo contrário. Havia escassez sim, mas de consciência visto que os alemães que faziam parte da causa eram pessoas bem conceituadas e com amplos conhecimentos técnicos, sendo em sua maioria da classe profissional médica, principalmente os oficiais da Schutzstaffe.
Estariam eles incumbidos de um surto coletivo? Estaria esse comportamento intrínseco em seu ser? Estaria o inconsciente coletivo agindo de forma que os atores de tais barbaridades não fossem capazes de ver o quanto brutal fora seus atos?
A resposta não seria tão singela, nem mesmo estaria apenas pautada em distúrbios coletivos. Hoje observo pessoas a dizer: quando ruim esse comportamento fora para todos nós. Outras relatam: Que atrocidade, que ferocidade, graças a Deus que estavam muito longe de nós.
Mas nada fizeram.
Há um comentário passível de não entendimento deste assunto complexo renascente em exposição: o porquê algumas pessoas dizem: “Graças a Deus que esses acontecimentos estavam longe de nós” Caminhando pelas ruas da cidade de Lucélia, interior de São Paulo, cujas evidências através de pesquisas realizadas por historiadores e outros indícios, enfatiza-se a presença de simpatizantes, assim como partidários do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) naquela época 1942, antes mesmo do surgimento de nossa cidade. Caminhando pelas ruas observa-se nas calçadas a simbologia da suástica do partido nazista, assim como pode-se ver em foto abaixo:
Os símbolos abaixo mostrados, foram feitos antigamente (em torno de 1950) e estão presentes até hoje em nossa cidade de Lucélia. As fotos são recentes(Agosto 2011).
Eles estão na esquina dos seguintes cruzamentos: Rua Eduardo Rapacci com a Rua Flávio José D Stefano e Rua Dorival Rodrigues de Barros com Flávio José D Stefano.
Eles estariam tão longe de nós? Esta simbologia de acordo com a história é utilizada pelos povos Hindus objetivando trazer sorte e afastar o mal. De acordo com a história, Hitler utilizou essa simbologia com o mesmo objetivo para proteção a sua causa, ao partido e aos seus membros. Acreditava-se que a raça pura ariana teria ascendentes na Índia, na qual fora pesquisado incessantemente pelo Heinrich Luitpold Himmler, Comandante da Schutzstaffel, responsável pelos campos de concentração.
Após a queda da Alemanha Nazista, a utilização desta simbologia fora abandonada pelo fato de rememorar as atrocidades cometidas, cujo símbolo utilizado era a suástica. Agora resta questionar: O que esta simbologia significa nos dias atuais em nossas calçadas? E esta resposta, agora encontrada, assola a consciência do nosso querido povo desta pequena cidade do interior paulista, e seria: Eles estavam tão próximos de nós.
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