Por Danilo Pelloso

QUE SAUDADE QUE TRAZ O MARANHÃO
03 de novembro de 2011


Danilo Pelloso - Adrentando no meio universitário, procurando uma morada, encontrei esse jovem distraído, parecendo estar em conflito consigo.
Era o senhor Carlos. Carrlosss, com sotaque arrastado, rosto sem pressa para viver a vida sublime na calmaria das águas de outono.
Carlos, vulgarmente conhecido como Maranhão, o local de origem desse emblemático cristão.
Permaneceria a escrever sobre Carlos, mas o tempo de viver me impede de alongar a vivência derradeira, dos comentários, a tecer.
Carlos. Carlos. Estudante de engenharia eletricista, especialista em filosofia transcendental, tarô, psicanálise ao bem comum.
Nunca conhecera uma pessoa assim. Amizade sincera, afetiva e espirituosa. Impressiona-me pelo desprendimento mental ao material. Alias Carlos passou a barreira do material, intelectual adentrando na vivência espiritual do seu ser metafísico.
Começamos a conversar quando Maranhão necessitou de meu auxílio para consertar sua televisão, sua antena enigmática, temendo externar a palavra macabra.
A amizade fora aperfeiçoando.
Enquanto todos estavam a estudar com afinco para as provas de calculo, física, resistência dos materiais, Maranhão, com seu baralho de tarô em uma das mãos, lia a previsão do seu destino irmão.
Nunca esqueço dos momentos em que debatíamos sobre filosofia e religião. Não me recordo em nenhum instante de sua imposição em pensamento de sua confiança fundada.
Sempre com entendimento e compreensão das diversidades da vida vivida de antemão.
Entre umas e outras advindas ao copo, Maranhão filosofava para mim contemplando Ilha Solteira com sua presença que aos prantos se embelezava.
Reflexos. Pensara eu em questionamentos: Maranhão será um alienígena? Haveria pessoa de tão bom coração?
Nunca esqueço do estágio que fizemos juntamente no Laboratório de Computação da Universidade Estadual Paulista, campus de Ilha Solteira.
Maranhão, a manipular esta o servidor, enquanto eu na manutenção continuava do computador.
Às vezes ficava ele tão entretido olhando para aquela tela fria daquela máquina sem alma, proferindo comentários de conquistas e vitórias.
Havia certa divisão entre engenheiros eletricistas, engenheiros agrônomos. Os primeiros sempre duvidavam da nossa competência em engenharia pela dificuldade apresentada por mim em equações integrais complexas.
Os últimos serão os primeiros. O presságio é eminente.
Nunca soube de nenhum ato de discriminação por parte do meu querido Maranhão. Todos iguais perante seus olhos.
Na ordem da justiça jaz a sua premissa.
Movimentos na ala da Engenharia. Ala cinco e oito. Dia de mobilização.
Corre corre. Grupos formando. Cadernos, livros, folhas com contas. Semana de prova. Os estudantes provariam o quanto não sabiam nada. Tudo aparência para o que dela sobrevive.
Todos afoitos e aflitos.
Maranhão em seu quarto ao canto e eu do outro lado, ouvindo o canto.
Começávamos a sorrir. Gargalhadas tornaram-se públicas.
Os estudantes não entendiam. Como poderia gargalhar em semana de prova? Sabíamos por que estávamos em gargalhadas.
Maranhão, com olhar tranquilo de um transcendente indiano, olhou para mim e disse: veja todas essas pessoas, olham suas preocupações. Uma simples prova que não prova absolutamente nada.
Fico eu a pensar: será necessária tanta preocupação a estar?
Como um golpe de mestre, Maranhão se levanta e me pergunta no início da madrugada: amigo, está com fome? E complementa: Por que estou pensando em fazer um feijão com bacon.
Troquei a resposta por grandes gargalhadas. Todos desesperados e Maranhão na cozinha comunitária fazendo seu feijão com bacon.
Sempre pensei, com curiosidade, o que se passava dentro daquela mente iluminada. Só alguém com grande desenvolvimento espiritual para adotar os comportamentos que o mesmo adotava.
Essa dentre outras peripécias que tive o prazer de participar fez-me com enxergar a vida de outra forma.
Uma vida mais vivida de bom grado requerida.
Maranhão com sorriso tranquilo, seu jeito metafísico, sua educação diamante, seu bom comportamento flamejante, que aos olhos do singelo humano faz-se brilhar em suntuosos cantos.
Ensinou-me o caminho. A contemplar o belo, o sincero. Contemplar a essência da natureza humana, por um ser humano.
Sinto saudades daquele tempo em que nossa única preocupação era não ter preocupação alguma.
Nos anos que passei na cidade de Ilha Solteira posso dizer que aprendi muito com todos os que da minha vivencia fizeram na arte parte, mas essa figura enigmática, emblemática e carismática me fez acreditar no lado bom da vida, vivida de forma sublime, não triste.
Posso dizer que convivi com o eleito.
Obrigado meu querido amigo Maranhão. Onde você estiver, e eu puder ter a tranquilidade da coexistência, será sempre bem vindo em sua essência.
(Homenagem de Danilo Souza Pelloso ao amigo Carlos Alberto Mota Castro, vulgo Maranhão, Faculdade de Engenharia, Universidade Estadual Paulista, campus de Ilha Solteira, FEIS-UNESP).

Voltar para a coluna de Artigos


© Copyright 2000 / 2011 - All rights reserved.
Contact: Amaury Teixeira Powered by www.nossalucelia.com.br
Lucélia - A Capital da Amizade
O primeiro município da Nova Alta Paulista