Por Danilo Pelloso

AS NUANCES DO TERROR PSICOLÓGICO

26 de março de 2012


Danilo Pelloso - Antigamente o terror era composto pelos frenéticos movimentos das lâminas, a cortar membros e dilacerar corpos. Iniciou-se com o filme: O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1973) - Leatherface, um paralelo da vida do serial killer, Edy Gein, com os órgãos femininos guardados por toda a casa.

Assim as pessoas liam as estórias com repulsa, no nauseante sentimento torpe, do movimentar o rosto a contragosto, evitando o olhar das cenas.

Neste caso inexistia o medo, apenas a repulsa pelo alheio sangue, respingado em paredes brancas, do entristecido vermelho.

Com isso, essas estórias situavam equivocadamente no gênero terror, mas deveria ser classificada no gênero policial e horror, já que mesmo sendo cenas grotescas, ausentava-se o terror.

Normalmente estórias assim, possuíam a leitura interrompida no clímax, pela aversão aos acontecimentos, mas não pela tensão de estar aterrorizado. Com isso década de 70, foi repleta de estórias de confusão entre o gênero terror e horror.

Com a chegada do romance: O EXORCISTA (1973), de William Peter Blatty, o gênero terror auferiu notoriedade com a presença perturbadora do sobrenatural, que antes de Blatty, adormecia nas sombrias existências dos desconhecidos acontecimentos.

Assim com esses dois filmes, na mesma década, pôde fazer a divisão do gênero terror, do horror e uma brecha para entender o terror psicológico.

Acompanhando a trajetória, surgiu a estória aterradora, principalmente para crianças, realçada no filme: O BRINQUEDO ASSASSINO (1988), dirigido por Tom Holland, atormentando a mente infantil, com a estória do boneco Chuck, possuído pelo espírito de um assassino, com sua crença oculta.

Em todos os lares existia um boneco, inclusive na minha, havendo possibilidade de grande interferência no desenvolvimento infantil pelo simples fato de trazer na estória o terror psicológico para a infância cuja mente apresenta em continua transformação.

Acredito que o filme Brinquedo Assassino, foi o êxtase do terror psicológico para as crianças. Se soubesse disso em minha infância não assistiria o mesmo, assim como a série: A HORA DO PESADELO - A NIGHTMARE ON ELM STREET (1984), escrito por Wes Craven, e POLTERGEIST (1982), escrito e dirigido por Steven Spielberg.

Na atualidade, observou-se que o terror não está relacionado com a exposição de sangue, nem de corpos mutilados e sim a conduzir o leitor a possuir o pensamento perturbador do autor da estória, este normalmente familiarizado com os eventos de natureza sobrenatural por ele escrito.

O desconhecimento do leitor traz em si a tensão, chegando ao clímax da estória, expressando através das cenas principalmente de fatos sobrenaturais o transtorno no momento da leitura pelo leitor, que inicia um olhar do lado temendo a própria morada.

Não há nada mais assustador, que expor o perturbador desconhecido, a quem desconhece.

A nós escritores, é um brincar infantil, ligando palavras, objetivando apenas o entretenimento do leitor, através da sua tensão no imaginar da cena, trazendo a sensação do aterrador pavor.

Assim houve várias adaptações de contos para o cinema, sempre com o mesmo objetivo como o caso do escritor Stephen King, em O iluminado, Carrie, A Estranha, Cemitério de Animais, entre outros, surgindo estórias maravilhosamente perturbadoras, num terror descrito como psicológico que nos faz tremular as mãos, na tensão da sequência de cenas inimagináveis.

Com isso cada estória tornou-se única, dependendo apenas do sentimento do leitor, que diferem entre si, justamente pela pensar de quem lê. Se não existir, ao menos, a idéia da perturbação intrínseca, ele concordará que a estória é cansativa de intricado entender, afetando o principal objetivo, que é aterrorizar as humanas mentes.

Assim o terror psicológico tem seus prós e contras.

Quando bem escrito é de provocar transtornos até ao mais cético leitor. Quando escrito de forma equivocada torna-se vulgar aos olhos da incompreensão do leitor.

Com isso, mesmo sendo mais complexo, tenho preferência no escrever de contos psicológicos, com características sobrenaturais, porque sinto no mesmo a capacidade de acender a tensão e o pavor por quem dele se entretém.

Sendo essa a intenção, o proposto é cumprido no dormir em pesadelos pela infância curiosa, e visões distorcidas de vultos que não tocam o chão a flutuar pela casam, no adulto pensar.

Assim o terror cumpre o seu papel, que é apavorar as puras mentes pelo inesperado, não apenas no sangue jorrado em corpos dilacerados, e sim em vultos e vozes das almas a arrastar a todos, para o mundo seu sombrio.

Voltar para a coluna de Artigos


© Copyright 2000 / 2011 - All rights reserved.
Contact: Amaury Teixeira Powered by www.nossalucelia.com.br
Lucélia - A Capital da Amizade
O primeiro município da Nova Alta Paulista