Por Danilo Pelloso

A VIRADA
16 de julho de 2012


Resquício do natal. Ano novo. Vida nova, existência a mesma, bobagens originais, promessas tolas, conflitos iguais, para pessoas desiguais.
O marasmo do ano novo. Nem a roupa eles modificam. Todos vestidos de branco, um branco comovente de calmaria, em contraposto ao turbilhão de pensamentos injuriosos na mente desses mesmos seres desdenhosos.
Seriam anjos? Demônios? Pessoas no país das maravilhas, oferecendo a mão para a Alice, caminhando juntos no mar de fantasias.
Preto inconstante, negro luto. É essa a cor que utilizo. Bobagens em tributo. O luto contra o insulto.
Iniciam-se as festas para a grande virada.
Que virada? Se o tempo é contado de forma linear. Não existem anos, nem ao menos divisões. Existe apenas a vida vivida, de forma sublime ou no desgosto das ilusões.
É a titia que tem o sobrinho em desapreço. Titio que continua a embebedar-se a todo preço. Sobrinho em discordância com a prima. E a avozinha naquele campo minado que mais assemelhasse a guerra fria.
Conflitos.
Todos vestidos de branco, branco cínico, fingido. A espiral da hipocrisia. Viver uma vida constante de quimeras, ou que mer..., o auto engano.
Insisto no preto luto. Preto harmônico, contrastando com branco ilusão. Na ausência da sinceridade, meu conflito com a sociedade. Tanta bobagem para apenas um dia. O pessoal não aguenta, e das bebidas se embebedam.
São mais sãos embriagados do que sóbrias vestidas de branco. Saltitando, fazendo promessas, idealizando realizações.
Esquecesse do principal. No trabalho a própria conquista para o ideal. Ano novo desabrocha. Tudo é esquecido. Apenas as dívidas são relembradas.
Continuasse no ciclo das lamentações, no próprio vício das emoções assombrosas. Vibrações de baixo nível. No abismo da baixa frequência.
Ano novo, vida na mesma, conflitos iguais, quanta besteira. Do novo apenas o ano e as bobagens que virão para a minha consternação.
Crônica publicada no Jornal Gazeta Regional, Lucélia, SP, em 31 de dezembro de 2011

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