A MÁQUINA DE FAZER LOUCO
26 de setembro de 2011
Não se observa nada mais doido que a própria máquina de fazer louco.
Normalmente papai acorda de bom humor, concede um beijinho à esposa e ao filhinho, tendo o trabalho, seu único destino.
Encerrando seus afazeres diários, papai descansa um pouquinho, ligando com uma das mãos, a máquina da alienação. Ela exibe tudo: crimes, bobagens, propagandas, bobagens, cotidiano, bobagens.
Papai, exausto do trabalho, permanece a frente daquela máquina, observando todos e quaisquer conflitos da raça humana. Amedronta-se.
Uma pessoa, no interior da máquina, comenta sobre os crimes. Pede-se prudência, aproveitando o ensejo para vender produtos, criando dependência.
Receoso, papai planeja comprar e instalar os equipamentos oferecidos: elevar o muro da residência, instalar câmeras para observações de movimentos suspeitos, portões eletrônicos, contribuindo cada vez mais para o seu isolamento.
Agora papai, ao receber pessoas, olha desconfiado. Não os convida nem para tomar um simples café. Vive em seu esconderijo, seu bunker. É o principal prisioneiro dentro do seu próprio lar.
Continua utilizando a máquina de louco, agora com mais gosto, já que ela avisara dos “perigos da vida”. Agora a máquina apresenta o perigo da ausência de cuidado com a saúde e já oferece a solução para os problemas.
Essa máquina é astuta. Ela cria o problema, assombrando a todos, depois vende-se a ilusão da momentânea solução.
Papai continua a observar com atenção. Agora assustado, preocupado com os crimes e com a saúde, que deixara de lado.
A máquina volta e mostra o distanciamento entre casais. Ausência de diálogo, de convívio, e claro, já induz papai a pensar que seu casamento esta em perigo. Ela sempre apresenta a solução: uma viagem num cruzeiro transatlântico, pagas em suave prestação. Papai compra as passagens muito antes de perguntar a esposa se ela quer fazer parte daquela viagem.
Ninguém observara que os comportamentos, antes agradáveis, transformam-se, após o uso da máquina, numa tremenda ilusão.
As mensagens que papai recebe da máquina parecem profecias a serem cumpridas. Ninguém sabe o porquê segue, mas simplesmente segue.
No final está papai, melancólico, deprimido, aprisionado dentro de seu próprio lar, com medo de uma doença terrível, chorando por acreditar que sua esposa quer a separação.
Tudo por ouvir a máquina de fazer louco, que muda seu comportamento, cada dia um pouco.
(crônica publicada em 24 de setembro de 2011, no jornal GAZETA REGIONAL – Lucélia – SP)
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