Por Danilo Pelloso
EU SIM SENHOR?
16 de julho de 2012
Eu sim senhor. Palavras ditas. Dolorosa sina. Chapéu de couro, roupas em retalhos. Na pele o sofrimento árduo, da vida no trabalho. Penoso? Respeitado? Não, não, marginalizado pelos próprios ajudados. Seria Cristo? Diria Severino, que a muito auxiliou, e por muitos chorou. Da ponta a outra. Caminhada longa.
O trabalho o aguarda, para no túmulo da indigência ter a vida encerrada.
Nordestino. Construtor do alheio destino. Do destino certo construído, ao incerto instituído. Na pele enrugada do sol radiante, no suor seu trabalho incessante.
Paulistano. Povo engravatado, trabalhando apenas com “coisas” importantes. Paulista? Senhor do próprio destino? Quanto deboche para nós Severino.
Os paulistas deveriam perguntar, para o nordestino, o mesmo falar. Quem construiu São Paulo? Resposta do nordestino: eu sim senhor. Quem fez repousar no conforto do lar? Resposta: eu sim senhor. Quem construiu as residências para minha família habitar? Eu sim senhor. Quem devo abraçar e agradecer, pela coragem do trabalho árduo, que no conforto vivo, sem esforço padecer? Eu sim senhor.
Da arrogância paulistana, a volta do nordestino a terra natal. Paulistanos, quando necessitar alguém para trabalhar desafrouxe a gravata, abandone o paletó, abraço o saco de cimento, e neste ritmo extraia o próprio sustento. Povo nordestino, que com muito mimo construiu nosso estado de São Paulo, não tenha vergonha de aqui ter estado.
Volte com dignidade a sua terra, e lá desenvolva o mesmo trabalho aqui realizado. Não seja subjugado, segue sua sina. Quando estiver lá em cima, incline o pescoço afável, e olhe para os paulistanos, localizados aqui embaixo.
Crônica publicada no Jornal Gazeta Regional, Lucélia, SP, em 10 de março de 2012
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