Por Danilo Pelloso

A ARTE DE SAMBAR
02 de outubro de 2011


Somos mestres na arte de sambar. Seria por causa do carnaval? Perguntam-se outros povos, colocando-me em reflexão.
Indago-me sobre a causa desta habilidade e encontro o cotidiano como consequência desta sublime habilidade. Nos pequenos grandes fatos e casos da vida cotidiana, nós brasileiros adquirimos e lapidamos, aprimorando continuamente, a arte de sermos ótimos sambistas.
Uma verdadeira arte, no sentido literal da palavra. Tantas peripécias.
Na obtenção de um veículo, por nós brasileiro, necessário torna-se a arte de sambar. Sambamos de mãos dadas, com juros altíssimos, embutidos em parcelas fixas. Na aquisição do imóvel qualquer, não precisamente o imóvel dos sonhos, novamente estamos a sambar. Neste caso sambamos a vida toda. Na solicitação de atendimento de qualquer natureza, indispensável torna-se mostrar a arte novamente.
Para saldar os impostos, mostramos todo o nosso potencial, toda a nossa habilidade nesta arte. Sambamos o samba de partido alto. Samba enredo dos grandes mestres carnavalescos, deste evento desordenado, por mim enigmático.
Neste samba descompassado, desritmado, de acertar as contas com o governo, não se pode errar nem um passo. Tudo perfeito, tudo ensaiado.
Impressiona-me como somos bons sambistas, alias um sambinha por dia não faz mal a ninguém, não é mesmo? Parece mais um código, um ritual para conquistar a atenção, quando necessitado estão.
Normalmente na vida cotidiana estamos a sambar um sambinha leve, compassado, com passinhos sem sair da sintonia, dois para trás e uma para frente, assim como em nossa vida habitual, sempre dois para trás e um para frente, passos que nos é ensinado todos os dias, em tenra idade, fazendo do nosso progresso, nosso verdadeiro regresso.
E ainda dizem: “Meu Brasil brasileiro, Terra do nosso Senhor”.
Todos os anos é o mesmo episódio, esse mesmo evento popular, a desordem da própria ordem. Aprimoram-se esses mesmos passos, um para frente, dois para trás. Não se podem esquecer os passos para trás.
Nos pequenos fatos da vida, sambamos quando somos logrados, injustiçados, desestimados e todos os anos, vamos à avenida mostrar o samba, a todos ensinados e a todos aprendidos, um sambinha eufórico, expressando o simples fato do cotidiano incompreensível da atenção desviada para o que é insignificante, em detrimento de um contexto de fatos importantes.
(crônica publicada em 01 de outubro de 2011, no jornal GAZETA REGIONAL – Lucélia – SP) 

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