Por Danilo Pelloso

A ODISSÉIA DO CAIXA ELETRÔNICO
24 de outubro de 2011


Senhor Lutêncio viajara de longe para enfrentar um inimigo mais ferrenho da sua existência: o caixa eletrônico.
Bancos. A categoria reivindica, mas se você necessita de empréstimo a juros “baixos” de dez por cento ao mês, nos comunique. Estranho. Tomadores de empréstimos não reivindicam nada. Alias quem precisa necessário é ficar de boca fechada. Desculpe. A que vontade que tenho de voltar para o meu Ceará.
Seu Lutêncio eu tentei, mas só mesmo na máquina para obter o vasto recurso de sua aposentadoria. É um duelo, uma batalha. Antigamente nos coliseus, batalhas entre gladiadores, com espadas e cavalos. Hoje o homem civilizado a batalhar com a máquina ao lado. Moderno não é mesmo?
Ambos se saúdam. O auxilio é inexistente para quem é coerente.
É ele e a máquina. Inicia-se o primeiro round. Lutêncio afoito e com a visão embaçada, digita a senha numérica errada, e perde com um jab no rosto.
Segundo round. O adversário é astuto seu Lutêncio, Agora prometendo prestar mais atenção digita a senha alfabética errada, levando um direto de direita na face. Isso é para aprender a não esquecer a senha.
O bom homem esta perto de ser nocauteado pela máquina. Presságio?
Terceiro round. Lutêncio nervoso digita, volta, digita erra, volta digita, volta erra, volta digita e erra. A profecia se cumpriu. Lutêncio leva um cruzado de direita. Nocaute. Conta bloqueada. Cartão bloqueado. Tentativa de furto.
Começam as dores. A pancada o deixara sem reflexos. Agora procede a contagem regressiva. Ele cai, mas não joga a toalha. É brasileiro. Perdendo na sua insistência o tempo da essência existência.
Eu avisei senhor Lutêncio, cuidado com a máquina. Ela é certeira. Ficou com sua aposentadoria. Inquiete, há empréstimos. Calma que o pessoal volta.
Quanto sofrimento na retenção da aposentadoria. Ah máquina esperta. Segurou a volumosa quantia. Trombetas? Será o dia?
Assustado, a passos lentos volta à batalha. Cruzados, jab, cruzados, diretos, acompanhados de palavras. Agora o senhor mostrou à estúpida máquina quem é o vitorioso. Ganha o round, mas com golpes baixos.
Nem reivindicar pode. Quem conversa sozinho é alienado e ao louco ausenta-se o discernimento. Há apenas a máquina. Com quem conversaria?
Louco é a idéia de deixar uma máquina responsável pelo fornecimento de recurso a quem necessita e desconhece sua utilização. Seu Lutêncio tem-se o sofrimento da ausência da aposentadoria nas mãos, sentimentos de desilusão.
(Crônica publicada em 22 de outubro de 2011, no jornal GAZETA REGIONAL – Lucélia – SP)

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