Por Danilo Pelloso

JOSELITO, PAGUE OS IMPOSTOS
12 de setembro de 2011


- O porcaria, diz Joselito aflito.
- Chegou o imposto do meu veículo, ano 1937, reclama, aos seus 95 anos de idade, com a voz trêmula de indignação, ao ver a cobrança.
Neste instante pega o telefone e liga para seu advogado, o Dr. Mascarenhas, que o explica o porquê da importância do pagamento de impostos. - Tudo que é imposto é obrigatório, senhor Joselito. Senão a palavra seria proposto, e não imposto.
- Em toda civilizações houve o pagamento de impostos, que utopicamente, seria o valor que todo cidadão é obrigado a subtrair de si para manter os serviços básicos do governo daquela civilização, mantendo assim a ordem e o progresso, concedendo educação, saúde, segurança, transporte entre outras coisas, que o cidadão necessita, para não furtar seu irmão. E complementa:
- Evita-se assim a desordem e o regresso. Imposto não é taxa, imposto é obrigatório. Taxa é para a manutenção do serviço, mas caso não pague, não é preso, mas também não tem o serviço que necessita.
- Puxa que palhaçada que é isso Dr. Mascarenhas, eu...
- Calma senhor Joselito, ainda não terminei, e complementa: para o não pagador de impostos o destino é a prisão. Evoluímos porque antigamente seria a morte. Governos que possuem comportamentos mais brandos, com seus cidadãos, em sua responsabilidade, fazem-se criar grupos paralelos, que governaria toda essa gente, cobrando uma taxa de manutenção para o grupo manter esse sistema.
- Isso seria uma taxa, um tipo de imposto com nome diferente? Pergunta Joselito.
- Esse grupo fornecerá a ti educação, saúde, segurança, transporte, lazer, entre outras coisas, para a manutenção do sistema. Seria um tipo de organização. Essa organização manteria todo esse sistema, criando também uma forma de ordem entre os cidadãos, para que não haja conflito. E completa:
- O governo combate esse tipo de grupo, por entender ser ilegal essa governancia paralela. Seria uma injúria ao governo legitimado.
Joselito tem outra dúvida, e pergunta:
- Dr. Mascarenhas eu pago imposto, vou ao hospital não sou atendido, meu filho tem 18 anos, frequentou a escola por 12 anos em período integral e não sabe escrever nem o nome. A todo o momento, meus amigos e eu somos assaltados. Quando estou no boteco vem o pessoal da segurança e me golpeia. Quando vou viajar tenho que ir de jipe traçado e demoro um mês para chegar, porque não há asfalto, não há rodovia, não há coisa alguma.
Joselito complementa:
- Parece que é solo de ninguém. Então eu entendo da seguinte forma: se alguém quer governar, e se dispõem a recolher a taxa ou o imposto que seja, e fornecer esses serviços, deslumbrante, porque só vejo recolhimento de recursos financeiros, e os serviços cadê? E completa:
- Era melhor tirar o governo oficial e colocar o paralelo, porque esse pelo menos faz alguma...
- Calma senhor Joselito você esta nervoso. Isso não pode ser feito. Todo seu nervosismo é por causa do imposto? Pergunta Dr. Mascarenhas.
- Do imposto e de tudo..., responde Joselito.
Escuta-se: toc, toc, toc.
- Joselito, o carteiro, grita a sua esposa, preocupada com o crochê.
Abre-se a porta e lá esta o funcionário com o carne de Joselito.
- O que é isso? – pergunta ele, olhando nas mãos do funcionário.
- Acredito ser o imposto residencial urbano (IPTU) da sua residência.
- Então, meu querido funcionário público, pega essa coisa e coloque no..., diz seu Joselito, batendo a porta no rosto do funcionário.
Caminhando a pesados passos, pega o telefone, e ao Dr. Mascarenhas pergunta:
- Dr. onde eu posso me inscrever nessa organização paralela? Pelas contas que eu fiz, juntando impostos e taxas que são cobrados de mim com 95 anos de idade possuidor de apenas uma residência e um veículo ano 1937 saem bem mais em conta e ainda terei os serviços.
A ligação cai, e Joselito diz:
- Imposto! Imposto! Se fosse proposto, seria de muito bom gosto. Pena que é imposto.

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