NA LOTAÇÃO
25 de outubro de 2011
Não há nada mais emblemático que o transporte coletivo. É um conjunto de pessoas que aparentemente não tem relação entre si, a falar de suas vidas cotidianas a todo o momento, em todas as situações, para todos os presentes.
Alguns cansados aproveitam para descansar. Há crianças a fazer algazarras, adolescentes a namorar, casais em conflito, idosos com suas lembranças, alem de várias outras modalidades e tipos humanos.
Engraçado é a nossa vida retratada como numa pintura realista de uma simples condução coletiva.
Seria uma profecia? As pessoas estariam interligadas?
Não se sabe.
Cada um seguirá seu destino, mas antes todos vão caminhar juntos, muitas vezes, não sorrindo.
Se paga um tostão não apenas para ser conduzido, mas sim para ter-se uma experiência de vida fenomenal.
Ensaios do cotidiano. É por isso que demora tanto.
Sentindo o ambiente. Sentir a vida. Em todas as situações a todo o momento. Normalmente repetirá, e agora estará apto a resolver, a questão.
Na lotação aprendem-se os costumes da vida habitual. As peripécias do desprovimento. O que deve e o que não deve ser feito.
Saímos com ensinamentos de como ser uma pessoa melhor para a comunidade, restando a complacente compreensão de viajar juntos com os irmãos, altos, baixos, magros ou avantajados. Não é relevante. O importante é todos estarem juntos em comunhão naquele instante.
Juntos com destinos diversos. Da complacência a coerência.
No ônibus, na lotação, é que se tem a verdadeira noção do aborrecimento de ser a testemunha das profecias dos casos, dos fatos, da vida cotidiana, a ironia de querer ser grande, não passando de um singelo cidadão.
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