Por Danilo Pelloso

NO LIMITE
26 de outubro de 2011


Há algum tempo atrás, para testar a resistência de nós brasileiros, surgiu o programa: No Limite. Fundamenta-se em acurar a habilidade de sobrevivência em ambiente inóspito pelos seus participantes.
Espirituoso e chistoso torna-se examinar as habilidades de nós brasileiros, em viver na hostilidade.
Despertar de madrugada a passos rápidos e inconstantes a caminho do trabalho estressante e regressar do trabalho na madrugada triste, sombria e cheia de lodo, com odor doce de sangue fresco pelos crimes cometidos por onde passa, não tendo tempo para a família, nem ao menos para serenizar sua complacente mente, não seria hostil?
Saldar valores advindos de contas mensais necessárias para o sustento fidedigno da família que clama auxílio ao responsável que vê no trabalho árduo a única solução para viver em comunhão, recebendo provimentos que circundam o tostão, não seria hostil?
Cultivar os filhos doze anos no educandário para constatar no dia de sua formatura que o mesmo continua analfabeto funcional, surgindo a situação pitoresca de ser um analfabeto no meio dos alfabetizados. A tormenta deixada por esse fato incauto dos pais e agora inculto do filho, não seria a tal da hostilidade?
Caminhar na longínqua estrada barrenta com grave doença acometida pelo eu mental com uma pequena amostra para o eu físico, aguardar horas para voltar, simplesmente com a solução ausente, mas com a dor presente, não seria a hostilidade? Ou simplesmente seriam as peripécias da vida cotidiana?
O que mais avaliar em nós brasileiros?
Conceda o prazer de acreditar nesta alusão. Tenha a certeza que há mais. Muito mais. Muito mais. Somos fortes e toleramos as adversidades que a vida nos proporciona, ou seriam as adversidades que nós mesmos nos proporcionamos?
Ser subtraído, e continuar o bandoleiro em seu rosto a sorrir, de bom grado. Ser ludibriado pelo indivíduo, ao invés de ser auxiliado como um amigo. Ser prisioneiro dos seus próprios pensamentos.
Querem nos testar. Testar nossos limites. Eu já não agüento mais a descrever as mazelas de nossas vidas que tentamos esconder. Esconder não por ser algo errado e sim por saber que é repugnante e em desagrado.
Querem testar nossos limites. A náusea experimentada pela vida cotidiana já nos coloca alem dos nossos limites.
Querem testar nossos limites. Concede-me o prazer de apreciar um copo d água juntamente com medicamento estomacal para enjôo.
Ausenta-se os testes por serem desnecessários. Não teste e sim ateste a nós brasileiros fazer parte do convívio dos eleitos.
Com isso verificasse o limite da complacência de nós brasileiros. A revolta dos insurgentes. A revolta a sua volta. Tons poéticos.
Avaliasse apenas o quanto de insolência o indivíduo normal é capaz de suportar, antes de transformar-se num animal irracional, em que todos temerão.

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