O PEREGRINO VESTIBULANDO
03 de novembro de 2011
O vestibular é como uma epidemia. É terrível. Todos se assustam. Todos se preparam. Todos se digladiam. Todos. E todos.
Como nos coliseus do Império Romano, esta o vestibulando no derradeiro e afável tumulto de responder algumas questões com o seu lado culto.
Vestibular. Aprovação. O atalho ao árduo caminho do sucesso profissional. A vaga universitária, na vaga universidade.
O conflito se inicia.
Alguns já começam errando a sala. Outros errando o colégio. Há quem erre a cidade da avaliação.
Fora os horários. Alguns vestibulandos pensam que é barzinho, podendo chegar na hora com seus livrinhos. E do nervosismo jaz sua imprudência.
Com livros que mais assemelhasse ao tamanho da bíblia, outros estão a estudar dez minutos antes da prova. Todo sacrifício é válido.
Seria melhor se tivesse com a bíblia orando.
Alguns lembram-se dos momentos de infância, os pais incitarem a criança para ser um doutor na esperança de viver em abonança.
Quanta bobagem.
No sonho dos filhos jaz a realização da frustração passada pelos pais, mesmo a contra gosto do primeiro.
É inebriante ser obrigado a trabalhar com assuntos que não queria tratar. Apenas pela luxúria tonta na explanação e exibição aos próximos relatando a presença de um doutor na família. Mais um entre os demais.
Subtraindo os amigos e as experiências sublimes passadas no meio universitário, só resta o título de doutor. Doutor de coisa alguma.
As fantasias induzidas ao vestibulando. Reflexões, flashes.
Caso reprovado for o vestibulando ele terá duas alternativas: continuar estudando, ou perambulando pelas ruas e avenidas da cidade, soletrando.
Ele se apavora na prova. Deu branco.
As quatro horas mais longas de sua vida. Flashes adentram sua mente, de forma repentina.
Ele lembra-se do momento em que se preparava e os pais novamente apresentavam a necessidade de estudar.
Começa a prova de conhecimentos gerais. Na verdade sabe-se tudo do nada e o nada de tudo. Isso é fato quando chega à prova de conhecimentos específicos de caráter dissertativo.
Jesus Cristo tende piedade de mim. Alias Jesus não sabe quem auxiliar porque todos o lembram simultaneamente. É mais fácil cantar: piedade, piedade, piedade de..., e no final utilizar o pronome “nós”.
Algo interessante. Provas. Provas que provam não saber nada. São tantos erros, mas tantos erros que seria melhor avaliar os candidatos de forma inversa.
Quem errar mais entra na universidade, baseada na seguinte premissa: quem erra mais tem maior necessidade de corrigir o erro estudando, então merece entrar na universidade.
Seria um sistema mais igualitário. Não é mesmo?
Aumentaria a concorrência nos vestibulares. Seria uma disputa acirrada para ver quem erra mais. A mesma dificuldade de acertar tudo é de errar tudo, porque até para errar tem que ser bom.
O querido aluno, após quatro horas de suor, de paciência, angustia e lamentos, acompanhados de murmúrios, entrega a prova com a certeza de sua vida incerta. A única certeza é de não haver certeza alguma.
São erros e mais erros. Para os professores doutores que avaliarão tantos erros tornam sua frustração o processo de seleção. O que avaliar se todos estão a errar? Avaliasse compadece ao audível fino do doutor, em escrever menos maledicências, na avaliação?
No final das contas descobre que errou apenas um detalhe: só errou a sequência das respostas no gabarito.
Esse vestibulando é bom. Alias quem nunca estudou um ano inteiro e errou a seqüência do gabarito?
Prepare-se meu querido amigo, no próximo ano o senhor presta mais atenção.
Lutando, batalhando, desesperado e aflito, para chegar na hora e errar a sequência do gabarito.
O método deve ser invertido para tornar o processo de avaliação mais divertido.
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