Por Danilo Pelloso

INCONSTANTE INFÂNCIA
05 de novembro de 2011


Chora criança, criança chora! Balança a mãe, tendo o filho, no colo. É sinal que há saúde, comenta-se. Não, não. É sinal que o pequenino já sabe de antemão o que o aguarda. Temeroso. Instituição familiar. Conflitos familiares. O pequenino perdido, ignorado pela inexistência do convívio social. Na ausência da consciência, faz-se de um momento importante, insignificante.
Instituição familiar. Lentes em desfoque, de um artista surrealista. Filhos. Apresentam-se com sentimentos em devaneio, relativo à saudade dos pais, que não veio. Um olhar pela porta entreaberta. Ignorado, menosprezado. Crianças cuidando das próprias crianças. Que algazarra da adulta infância.
O modelo educacional dos antepassados apresentava falhas, muitas falhas. Na repressão tinha-se a contenção dos pequeninos irmãos. Geração conformada em ser subordinada. Inexistia discussão, desrespeito. Nossos pais, nossos meninos direitos. Realizaram bons feitos. No temor, o respeito.
Nossa geração é o manifesto da gênese anterior. A rebeldia atual passou dos limites dos bons modos e boas maneiras.
O todo inexiste. Conflitos psicológicos, sociais, cotidianos. Ao filho a dedicação, exemplo, dignidade, devendo aumentar com a idade. Filhos conflituosos, pais desdenhosos. Filho, um objeto com carinho?
Desenvolvem-se leis, objetivando moldar condutas em descompasso entre humanos. Comportamentos sublimes deveriam intrínsecos estar em nosso consciente. A obrigatoriedade não é complacente. Uma sociedade alucinada, necessário ao essencial da conduta adequada, ser obrigada.
Assume-se a paternidade temendo ser aprisionado. Deixam-se os filhos livres porque há leis de proteção à criança. Tantas regras para criação dos filhos. Desapropriam nossas crianças e lançam na desesperança.
Os mais adequados a cuidar dos filhos são os pais e ninguém mais.
Comportamento desumano de uma proteção fatídica de um pequenino humano. Quanta proteção eh! Parabéns. Depois o protege prendendo-o, quando começa a fazer peripécias na idade adulta.
A exigência da lei, na educação dos filhos, ofusca a responsabilidade fraterna dos pais. A instituição familiar perde autonomia com interferências. Os pequeninos viraram propriedade pública, com regimento. Na decência dos pais brota o segredo da educação da descendência.
(Crônica publicada em 05 de novembro de 2011, no jornal GAZETA REGIONAL – Lucélia – SP) 

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