Por Danilo Pelloso

PIEDAADE, PIEDAADE, PIEDAADE DE MIM
12 de setembro de 2011


Nossos governantes são representações e reflexos do nosso povo.
Eleitos, em quatro em quatro anos, o povo escolhe os candidatos, que mais lhe traz apreço, para assumir aos cargos mais importantes do país, os cargos do governo (executivo, legislativo) que alterará o rumo da população.
Serão os verdadeiros representantes do povo após escolhidos.
Dia de festa, dia de eleição. Dia de escolher não um homem, mas o homem, o cidadão.
Todos estão alvoroçados, caminhando para o calvário.
Como os últimos momentos, o martírio, a crucificação do mero cidadão, a pedir, a suplicar, apertando o botão da urna eletrônica que responde: prim, prim, prim. Pronto, agora vem a extrema unção.
Neste dia tudo acontece.
Alguns se esquecem dos números dos candidatos a serem votados. Outros não sabem ao menos quais são os candidatos concorrendo para os mandatos.
Os eleitores mais idosos apresentam dificuldades em entender o sistema da urna eletrônica, uma vez que, na época deles, não era assim.
As eleitoras que são mamães, principalmente as com filhos pequenos, estão sempre com pressa. Pressa justificada. Não tinha com quem deixar os seus pequeninos filhos. Oito no total. Família grande, mas é boa gente. O esposo sumiu. A família sumiu. Os parentes sumiram. Agora ela aperta os botões rapidamente para eleger as pessoas que irão governar nosso país. Mamãe teme que esses sumiços repentinos continuem, agora com suas crianças. Tem-se que atentar-se ao fato, e com razão.
Alguns nem sabem em que local votar. Outros esqueceram o título de eleitor no boteco, ao pagar sua pinga.
Os que mais me aprecia, são os que saem da urna eletrônica alegres, dizendo: não sei em quem votei, mas votei. A urna fez: prim, prim, prim. Tudo deu certo. Vou dormir em paz. Cumpri meu papel de cidadão.
Começo a rir sem parar. E penso: como aflora tanta bobagem nessas horas.
O povo não concede a importância devida ao processo de eleição.
Possuidor do processo eleitoral mais rápido e moderno do mundo, nosso pais, torna-se engraçado.
Para escolher os representantes do povo, no caso realizar a eleição e principalmente a contagem de milhões de votos, não demora mais que quinze horas. Para realizar o que a população carece, aguarda-se quatro anos e ainda prorroga-se por mais quatro anos, e o problema continua.
Essa demora tem um motivo. A população de tudo carece, então leva tempo.
O que impressiona na competência do sistema governamental, é a rapidez da escolha dos representantes do próprio sistema governamental, dos representantes do governo, através do processo eleitoral.
São procedimentos distintos e discrepantes. Analisando alguns deles: obter o titulo de eleitor, em torno de um mês, eleger governadores, quinze horas. Obter o registro geral, famoso RG, em torno de um mês, eleger deputados, quinze horas. O diploma universitário de engenharia, após realizar cinco anos de curso universitário, período integral, semelhante à via crucis, demora em torno de doze meses para ser emitido, eleger presidente, quinze horas.
Se eu viver 70 anos assim, 50 anos eu passei esperando. Por que tenho que esperar se meu tempo de vida é o mesmo de quem tem pressa em governar? Aqui é tudo ao contrário.
O sistema eleitoral é tão rápido, que quando o povo percebe, já fora feito a bobagem. Percebendo a bobagem, o povo tenta resolver, direcionando-se ao boteco, para esquecer. Não é possível deslembrar. Meu povão, esse você pode até não perceber, mas deste equivoco que cometeste, não poderá você esquecer.
Esse não.
Sentiremos na pele, no mínimo por quatro anos, mas se alguma atitude fora tomada a longo prazo, teremos também que suplicar a longo prazo.
Os eleitos, aos principais cargos que direcionarão nosso destino, são escolhidos pela maioria alienada, que na ausência de conhecimento, de discernimento, fazem das suas escolhas, a causa do carente provimento.
O processo eleitoral deveria ser algo facultativo e não obrigatório. Ter discernimento e conhecimento isso sim deveria ser obrigatório, cujo sua ausência definida como crime inafiançável sujeito a prisão.
Os escolhidos. Os escolhidos.
Após a bobagem consumada, poderão os mesmos, corrigir o erro, depois de transpassados um tempão.
Eles esqueceram o que fizeram. Incrivelmente farão novamente.
O povo e suas peripécias. As peripécias. As peripécias.
Novamente, continuarão agora, todos os domingos, rezando e proferindo, essas palavras, repetidamente: piedade, piedade, piedade de nós, piedade, piedade, piedade de nós. Jesus Cristo tenha piedade e perdoai a nossa culpa, e perdoai a nossa culpa..., piedade, piedade, piedade de nós.
Eu digo: piedade, piedade, piedade de mim, que juntamente com outras pessoas, mesmo votando com responsabilidade e discernimento, sofreram todas as conseqüências, desse ato inconseqüente, da massa incoerente.
Não seria mais coerente escolher os escolhidos, com responsabilidade, ao permanecer na súplica, durante toda a existência, a repetir: piedade, piedade, piedade de nós.

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