O BALOEIRO
17 de novembro de 2011
Cinquenta folhas de papel seda mais algumas velas. Seria um ritual? Uma cerimônia religiosa?
O que fazer com todos esses materiais?
Um balão. Um exuberante balão.
Da confecção, as alturas. Brincadeira de infância? Ou crianças brincando de adultos? Alias inexiste preocupação para as crianças que ali estavam e que sempre estarão.
Nossa infância. Saudosas crianças, mesmo com esperança, no tempo só restam lembranças.
Folhas de papel seda dobradas de forma precisa. Todos realizando a mesma atividade proibitiva pela sociedade. No alto a beleza do trabalho da coletividade.
Mesmo ameaçador, como é exuberante ver um balão voador.
Cada um possuía sua obrigação. Do dobrar as frágeis folhas de papel seda, a confecção da armação.
Os mais sábios responsáveis estavam pelo fornecimento constante do calor. Do derreter das velas de parafina ao aquecimento do ar frio. Do chão o balão a estar, e para o alto o ar quente o levará.
As folhas de seda voaram com toda aquela armação, concedendo o prazer de vivenciar aquele belo momento, em comunhão.
A realização em conjunto. Uma brincadeira para nós na infância inocente e inofensiva.
Na observância da criação, o criador. Saíamos correndo atrás dele pelas ruas escuras da pequena cidade interiorana.
Um erro no projeto. Desatenção por nós engenheiro de doze anos de idade, na confecção do balão. O mesmo ganhara altura navegando numa corrente de vento ascendente voltando a criação para seus criadores.
Estava aceso, fervilhando, e sua presença não trouxe agora o encanto.
Nosso vizinho, o engenheiro chefe desta empreitada, proferiu as seguintes palavras: meu querido Danilo, o balão acertará sua residência.
Vamos tomar as providências. Eu aturdido com a realidade dos fatos observei atônito o acontecido.
Presságio?
Olhares cruzados com o engenheiro chefe ao movimento descompassado do grande e magnífico balão. Sabíamos que iríamos ser alvejados pela nossa criação.
Começamos as gargalhadas. Era apenas diversão. Passatempos de boas crianças, de bons cidadãos.
Certo dia estávamos a confeccionar o balão para soltá-lo na brisa noturna. Nosso querido engenheiro Paulo, profissional na arte do aquecimento do balão artesanal, ao confeccionar o chumaço, nosso pequeno aprendiz inexperiente solicitara o requerido oficio, no aquecimento, o artifício.
Com auxílio de um ventilador, enchemos o artesão dos céus de ar, e o aprendiz colocara a fonte de aquecimento no bocal.
Erros e mais erros.
O balão explodiu e subiu como uma bola de fogo maciça.
No cair alvejou o beiral da casa do nosso experiente engenheiro chefe na arte do balonismo.
Corre corre. Ouviam-se gritos.
Brincadeira esta que queimará minha residência, comentou o engenheiro Paulo. Água para todos os lados.
Naquele dia vimos como seria perigoso o desenrolar desta arte, a arte do balonismo. Da confecção, ao céu. Do trabalho grandioso, a visão do majestoso.
Com aperto no coração paramos a arte de fabricar balão.
Como era gostoso aquele tempo. De maneira singela nos divertíamos muito, fazendo até folhas frágeis de seda voar, em nossos céus a enfeitar.
Ser criança no tempo de infância.
Que infância infantil. Aos prantos as lembranças e a certeza de ter vivido uma infância como toda criança deveria viver para que na fase adultas boas lembranças nela possam aparecer.
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