CREDIÁRIO AO INOCÊNCIO
20 de novembro de 2011
O velho homem, cuja marca do trabalho evidencia-se em seu rosto. Com seus 95 anos, caminha a passos lentos, em direção ao banco.
Teme chegar rápido demais e padecer das consequências da sua ausência de paciência.
Necessita-se de crédito. O banco sempre disposto a realizar esse tipo de estimo.
O homem continua a caminhar, e agora na agencia bancária adentrar.
Sempre sorridente, o gerente recebe aquele bom e valioso “moço” decente.
Convida-o para um caffè pomeridiano. A esplendorosa disposição do jovem gerente deixa-me um pouco descrente. Auxilia-o na caminhada até a cadeira acolchoada.
Tantas gentilezas.
O velho homem com os documentos em sua mão, vem solicitar um empréstimo pessoal ao banco, e com isso sanar algumas dívidas pendentes de antemão.
Que homem. Quanto cavalheirismo. Decorrência de bons modos e bons costumes. “Surgiu do nada como Fênix, e do nada voltará”, pensa o gerente.
Já tivera visto aquele senhor e previamente há ciência do mesmo possuir um abastado patrimônio, guardado no banco para o próprio sustento.
Pronto doutor, seu empréstimo já está liberado, e com a menor taxa de juros comenta o gerente.
Liberado sim. Com a menor taxa de juros? Talvez?
Não houve análise de crédito, consulta a documentos. Inexiste desconfiança. No rosto calmo do velho senhor, a certeza de ser um bom pagador. Nem necessitaria pagar. O atraso de uns, o enriquecimento de outros. Seu abastado recurso no banco a estar, não pode o empréstimo negar.
O senhor se levanta, estendendo a mão, agradecido sorridente pela sua conquista. Caminhando assobiando mostrando o sossego em seu ser, com o recurso na mala, comenta:
- Inexiste a penúria do esforço grandioso. Pensei que por ter meu nome comprometido na praça ficaria difícil a obtenção do crédito.
O gerente certo de que fez um ótimo empréstimo, sabendo que aquele homem era possuidor de muitos bens, neste caso inexistia a inadimplência.
O gerente abana com as mãos para cumprimentos finais, a aquele senhor inocente, mera formalidade do mundo desdenhoso, dizendo:
- Volte sempre senhor Inocêncio.
O senhor inclina seu corpo, e olhando de longe àquela figura comovente, diz com um sorriso gracioso, e muito gostoso:
- Desculpe meu bom homem, mas meu nome é Astúcio. Inocêncio é meu irmão, eu não. Somos gêmeos.
O gerente do banco volta com as duas mãos em sua cabeça pensando: “puxa vida, o dinheiro certo, tornará incerto, na mão do Astúcio velho” e diz:
- Este erro certo, tornará na gerência, minha permanência incerta.
Ah senhor Astúcio, pensei que fosse o senhor Inocêncio. O Inocêncio velho de guerra.
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