Por Danilo Pelloso

NOSSA VIDA – UM ESPETÁCULO CIRCENSE
12 de setembro de 2011


Nascemos. Assim como os palhaços, já estamos a fazer gracejos para chamar a atenção de nossos pais, suprindo assim, nossas necessidades fundamentais.
Como não conseguimos balbuciar, nem ao menos soletrar uma palavra de socorro, para chamar a atenção, resta apenas, o choro ou o sorriso gostoso.
Na adolescência, o sentimento de auto-afirmação comparece, deixando-nos cada vez mais rebeldes. Somos os donos do “mundo”. Tudo esta a prova. Nossos principais objetivos são desafiar os perigos da vida, quebrar paradigmas, ser regra a exceção.
Semelhante apresenta-se o domador no espetáculo circense, que enfrenta feras já domesticadas e treinadas pelo sistema recompensa/punição, amortizando o risco desta atitude, que me foge a compreensão.
Na fase adulta experimentam-se novas sensações. Anseia-nos pelo risco contido da vida. Anseia-nos possuir uma vida não contida.
Semelhante a crianças cometendo peripécias.
Bamboleamos a vida, como o artista pirofágico circense faz como o fogo. Casa-se com a mulher de sua vida. De sua vida ou da vida? Tanto faz, o importante é o amor, que ela nos traz.
Os recursos de seus provimentos somem, ao verificar a conta bancária. Não seria mais conta bancária, e sim conta banalizada.
No trabalho, os papéis importantes desaparecem, e normalmente quando a punição aparece, os documentos reaparecem em sua mesa. Ninguém os viu colocar, nem ao menos sabia onde esses papéis poderiam estar.
Ilusões da vida cotidiana. Os enigmas da rotina.
Lembro-me dos mágicos, na arte do ilusionismo, que aplica as técnicas com maestria. Tudo encontra-se dentro da normalidade.
Mágicos, ilusionistas há em todos os lugares e em todos os momentos desta vida.
Para nossos baixos provimentos, utiliza-se a compensação da jornada de trabalho, da família, dos filhos, dos estudos, contorcemos para conceder atenção a todos, assim como, os contorcionistas do grande espetáculo podendo ser tanto circense quanto do circo da vida. Todos são validos.
A tolice continua, assim como a crendice, que tudo muda.
Arriscamos-nos em atitudes nobres, para pessoas indecentes, darem risadas de nós. Esta é a consequência de viver numa sociedade inconsequente que se mostra descontente ao ver o irmão sorridente.
Semelhantes são os trapezistas, que para divertir uma platéia que desconhece, com a vida nas nuvens, o mesmo permanece.
Com provimentos baixos, fazem-se manobras para encaixar o pagamento, de todas as dívidas, daquele mês apertado.
Que mês que não é apertado?
Conta de água, luz, telefone, escola das crianças, ah os impostos, os “benditos impostos”, a prestação do carro, da casa, o plano de saúde das crianças, alimentação, transporte, dentre muitos outros compromissos. Assim faz a família, como um malabarista, a realizar o espetáculo todos os dias.
Jogando os malabares para cima, com muita técnica e percepção, eles se encontram em suas mãos.
Não há erros.
Para o malabarista, a má apresentação de seu espetáculo, despertaria o descontentamento, no caso da família, a perda do seu sustento.
Quando envelhecemos, nossos filhos já formados, casados, vivendo uma vida de muito agrado. Que maravilha, que boa família.
Os pais esqueceram.
Não tem aperto de mão, não tem visita ao paizão. Não tem respeito por esses esplendidos cidadãos, que tirou da própria boca o pão, para sustentar o filhão. Quanta ingratidão. Quanta ingratidão. No final do espetáculo da vida, como nos espetáculos circenses, os animais são abandonados por não servirem mais para risos e aplausos.
Assim somos nós.
As pessoas já se divertiram de nós. Nos aplaudiram. Nos ofenderam. Tudo já fora feito, e mesmo triste, seu choro torna-se sem efeito.
Todos se foram, só restou você melancólico, sem saber o comportamento a tomar, continua-se a caminhar, e assim pensar: qual meu maior erro? Seria não ter criado os meus filhos direito?
Amigo sem perguntas e respostas. Seremos apenas lembrados e adorados, quando na vida, não formos mais encontrados.
A vida, a arte circense: contenta os descontentes, aplaude o indecente, contempla o incompetente e no final do espetáculo da vida, estamos todos na mesma corrida. Correndo para chegar a lugar nenhum.
Somos todos artistas circenses, do espetáculo da vida incoerente.

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