Por Danilo Pelloso

MONOTONIA OFICIAL
28 de novembro de 2011


Na sala adentra. Grandes quantidades de papéis que entra. Não há mais lugar para colocá-lo.
O que fazer? Como proceder?
Na sala apertada, com mesas e cadeiras enfeitadas. Computadores a funcionar, e os funcionários a utilizar.
- Papéis não? Documentos. Diz o cidadão. O que fazer se não padecer? Observo toda aquela situação. Meu pensamento viaja longe, para longe daquela ocasião.
Às vezes estou no Egito. Em outras, bebendo a água do próprio Nilo.
Escutam-se reclamações. No muro das lamentações, mais um cidadão a criticar sua própria condição.
Não tenho com quem lamentar, então continuo a pensar nas minhas viagens. Na minha mente as imagens.
Fuga momentânea de uma ocasião de degeneração.
Por que tantos papéis? Por que tantas coisas? Por que tanta gente?
Por quê? Por quê? Por quê?
Num lugar de diminuta trepidação de gente mal humorada, a rezingar da vida que o mestre cósmico o proporcionou de graça.
Uns preocupados com o café não feito, outros desassossegados com os alheios defeitos. Alguns inquietos com sua própria situação, outros preocupados em denegrir o irmão.
No meio de todos sinto-me só. Viajando para o longínquo, como dizia minha avó, para os cafundós.
Acorda cidadão, aqui não é lugar de cochilar, e sim de trabalhar pequeno irmão.
Viagem interrompida. O sonho roubado. A volta do pensamento humano. Acordei do breve sonho.
Na observância de que nada mudará esta o meu lamento.
Continua tudo a mesma coisa. As mesmas pessoas. Os mesmos papéis. As mesmas vicissitudes da vida.
Levanto-me e vou à cozinha.
Meu corpo treme. Ao beber um chá tranquilizante, motivos para continuar neste momento, a conviver neste ambiente repugnante. De papéis, mesas, cadeiras, com pessoas a proferir maledicências em sua própria decadência.
Meus lamentos não é o desprazer do convívio, é o padecer aflito de saber que continuarei a sofrer, se assim continuar a viver.

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