O EMBRIAGADO E OS BEATOS
01 de dezembro de 2011
O senhor cambaleando devido ao alto índice alcoólico em suas finas veias de um vermelho pálido, de pouca tinta, adentra em local de orações, lugar de gente fina.
Gritos e louvores. Algumas pessoas caem e outras dançam uma dança não ritmada. Luxuria ao sincronismo?
Indivíduos ruindo no piso encerado brilhante. Da porcelana a mente insana. Pessoas a enrolar a língua a falar uma linguagem desconhecida.
O senhor observa toda a cena. Inusitado é a palavra. “Acontecendo se precedem ou seria resultado de um mente que bebe?”.
Sugestões. São as duas coisas?
As pessoas chacoalham, estão todas em profunda histeria. Do inconsciente coletivo a resposta que aqui não é bem vinda.
O senhor mesmo alcoolizado compreende toda a situação. Alias bebe-se justamente para não recuar ao duelo da compreensão dos fatos cotidianos de uma vida em ilusão, aos prantos.
Bebe-se e bebe com gosto. Mas não para exalar odor alcoólico. Simplesmente bebe para adentrar num mundo de ilusões, mesmo que momentâneo.
Cena bizarra. Manicômio é pouco para tamanha algazarra. Gritaria infernal. Descontrole emocional. Miragem social.
Fuga momentânea da vida. A própria ilusão. Do compreensivo ser material, ao incompreensivo ser espiritual. Do desconhecido a acreditar, a dragões voadores a saldar.
O senhor alcoolizado transtornado encontra-se com o que vira. Na ausência do domínio, a incógnita do enigma.
Questionamentos vêm à cabeça daquele senhor. Não padecendo mais o mundo fantasioso que presenciara, iniciasse o auxilio aos homens e mulheres caídos no brilho do belo revestimento cerâmico.
Aterrorizado. Aflito. Solicita assistência as pessoas. Transe hipnótico.
Observando toda gesticulação do senhor, que na dor de outrem alude ao velho e bom homem. Um casal conduzindo toda a cerimônia começa a dialogar com o alcoólatra.
O homem comenta: “Ele está embriagado” Quanta indecência desse senhor, embriagado em pleno louvor.
A incompreensão toma a face pálida do bom senhor. Aquelas palavras o confundiram. Ironia do destino?
Estou embriagado, mas estou sã. Essas pessoas que se dizem normais são meio tantãs.
O senhor grita. “As pessoas estão caindo e falando enrolado, não estão vendo?”. O casal, com um sorriso sem graça e sem motivo, explana: “Não estão caindo, estão no repouso do divino”.
O senhor inclina para o casal proferindo um comentário.
“Eu embriagado e todos aqui alucinados, alienados e pirados. É por isso que continuo embebedado, pelo menos se alguém perguntar por que caio ou falo enrolado eu acrescento a responsabilidade no álcool”.
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