Por Danilo Pelloso

CRISES DE PÂNICO
10 de dezembro de 2011


No silêncio da residência. Inexistem manifestações de desejos e anseios. Apenas a calmaria apresenta-se no ambiente que antes inexistia.
Sussurros. Murmúrios. Mamãe esta limpando o quarto e de repente escutasse os gritos.
O que seria? Por que dos devidos desvaneios? A principio pensei tratar-se do filme de terror, na qual estava a assistir.
Gritos de desespero e muita dor. Apenas ficção. Grito esse peculiar. Havia sentimentos embutidos no mesmo.
Dentro do contexto, a refletir. Seria uma nova modalidade de filmes de terror, na qual contempla seus apreciadores, através da realidade sem vestimenta?
Apenas cogitações.
No filme, as cenas grotescas faziam-me juntar as pálpebras. Os gritos continuavam cheios de pavor. Horror fantasioso.
Minhas indagações permaneciam. Nunca assistira filme de terror com tamanho realismo.
A única palavra a dizer sobre o filme de terror é o profissionalismo. Que sonoplastia magnífica. Gritos de sacudir a alma adormecida.
Mamãe continuava no quarto havia algum tempo.
Se mamãe assistisse não suportaria, pensara eu. Mamãe é frágil, impressionasse com fantasias e máscaras com poucos detalhes.
Mamãe continua a viver em seu próprio tempo, período de grande batalha pela sobrevivência, cuja única essência, era permanecer na existência.
Não mostraria esse filme à mamãe. Padeceria principalmente quando escutar os gritos advindo do fundo de uma alma atormentada pelo labirinto da mente incompreendida.
A única coisa que me deixa em estado de reflexão e enfatiza a minha consciência é o profissionalismo do sonoplasta.
Resolvi adentrar no quarto onde minha mamãe estava. Fazia tempo que não ouvira a mesma falar sobre o cotidiano.
Será que acontecera algo?
A surpresa.
Mamãe estava pálida. Com a cútis possuidora da escassez de tinta, recolhida num canto escuro, toda encolhidinha.
Mamãe apontava o computador. Observei tratar-se de algo sério. Mamãe continuava naquele estado de alto defesa.
Com a boca trêmula, com os olhos assustados. Apontava o computador.
Observei toda aquela cena, assustado. O que teria acontecido com mamãe para estar naquele estado?
Com a voz hesitante, com o dedo apontando o computador, mamãe dizia que o mesmo estava a falar. Dizia ser coisa do outro mundo.
O antivírus. Quanta confusão.
Colocara o mesmo para informar oralmente quando algo anormal acontecer com o computador.
Mamãe se assustara a toa. O computador continuou a falar, mas agora mamãe não mais assustada estará.
E eu que pensei que os gritos eram do filme. Surge a idéia da combinação entre o realismo e a ficção. Para o sonoplasta, essa é a sugestão.

Voltar para a coluna de Crônicas


© Copyright 2000 / 2011 - All rights reserved.
Contact: Amaury Teixeira Powered by www.nossalucelia.com.br
Lucélia - A Capital da Amizade
O primeiro município da Nova Alta Paulista