Por Danilo Pelloso

E A BATERIA?
10 de dezembro de 2011


Noite quente, assim como tudo naquele lugar. O inferno de Dante.
Os amigos a convidar para sair de forma incessante. Estamos reunidos numa mesa simples de um local tranqüilo, singelo, amigo.
Todos reunidos para conversar um pouco e nos ater ao acontecido.
Começo a relatar sobre um fato trágico ocorrido. A morte de dois adolescentes, cuja paixão a fizera vitimas e atores da própria encenação.
Um carro ligado. Motores a funcionar, naquele lugar apertado, os namorados, a namorar.
Fato comum se não fosse trágico, na morte o incomum. Duas mortes, duas vidas perdidas.
Que embaraço. O ar ficara denso, com o monóxido de carbono, deixando o ambiente tenso.
Morreram abraçados uns aos outros, como sinônimo de união da grandiosa paixão.
Momento de aplausos?
Todos, na mesa, começaram a agitar-se.
Havia apenas um, com um olhar tranquilo e sereno, que continuava em seus pensamentos.
O velho e querido mosca.
Um deles olhou para mim, dizendo estar com os pensamentos conturbados, devido ao ocorrido, já que ele mesmo já encenou a própria cena deste martírio.
Outro pos a lamentar-se.
Havia um engenheiro que se ateve à análise de todas as probabilidades. Aquele papo de engenharia me incomodava, uma que eu não entendia e outra que atrapalhava a manifestação dos sentimentos humanos.
O mosca continuava em seus pensamentos. Observava-o juntamente com toda aquela cena inebriante.
Quando todos pararam com suas explanações, o mosca em alto e bom som fez a indagação: “E a bateria?”
Já não bastasse a angústia trazida pelo fato, o mosca nos deixara mais atormentado.
Um dos nossos amigos, em tom indelicado sem muita cor no colorido das palavras faladas, indagou ao mosca, o que importava a bateria.
O mosca, finalizando com chave de ouro, complementou: “O casal se fora. E a bateria será que arriou?”.
Dois mortos, duas famílias destruídas e a preocupação do querido mosca era a bateria.
Fiquei estarrecido com a preocupação do nosso querido amigo. Pensei eu se tratar de alguma brincadeira, mas ele continuava na persistência, de seu questionamento nefasto.
Depois daquela noite, com sentimentos turbulentos, fiquei até hoje a pensar o que o meu querido amigo mosca quis me repassar ao pronunciar a frase: “E a bateria?”, deixando-me atormentado em demasia.
Do medo da insignificância do próprio destino nunca mais discutimos com o mosca, devido ao seu próprio desatino.

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