Por Danilo Pelloso

INSALUBRIDADE
10 de dezembro de 2011


Centro dia de frente ao computador, acabando o relatório, na qual fui designado a fazer, comecei a sentir um odor torpe, de rosas com algo repugnante.
Odor inebriante, para ser mais justo.
Observei que não era um cheiro normal. Combinação nauseante.
Continuei a digitar, enquanto o odor continuou a náusea, me causar.
Escutei um barulho. Parecia um motor ligado, um compressor.
Ao virar para a janela, observei um homem todo vestido com uma roupa semelhante a um ativista da guerra biológica, daquelas observadas em filmes de Hollywood, que normalmente assusta o povo para imputar necessidade ao mesmo. Faz-se o desnecessário tornar-se necessário, fazendo do necessário a própria dependência.
O cidadão.
Com passos compassados, pulverizando aquela calda grotesca, formando uma nuvem densa e cinzenta.
Fora quando percebi o que estava a acontecer. Era uma ação, para algum mal combater.
Todos estavam fora do prédio. Eu encontrava-me dentro do mesmo.
O que fazer? Para onde ir?
Na outra sala, estava Oscar, digitando seu relatório em tons descompassados, tentando evitar erros, e assim tudo sair perfeito.
Apenas nós dois em meio aquela nuvem de fumaça funesta. O que fazer? Como proceder?
Perguntei para Oscar como poderíamos sair daquele ambiente.
Ele com a mão tampando os orifícios nasais, evitando infantilmente não respirar a névoa, disse-me para não me preocupar, lembrando que nosso provimento embutido esta o valor da insalubridade, justamente para essas ocasiões.
Então eu deveria respirar me perfumar com aquele veneno, apenas porque recebo um extra no meu provimento para situações insalubres?
A psicose de Oscar me deixara confuso e aflito.
É por isso que a ele não o desassossega essa névoa densa de veneno, sem trégua.
Eu escutava tudo aquilo como um verdadeiro filme, na qual o ator principal seria um lunático suicida.
Com muito esforço convenci Oscar a sair daquele local impiedoso.
Até hoje fico a refletir.
Não sei se não compreendi o que Oscar me explanou, ou se minha consciência não se faz compreender, pelo absurdo que tal ato possa aparecer.

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