O CORAJOSO
10 de dezembro de 2011
Na infância estaria. Assistindo filmes de terror, não sorria. O que fazer se corajoso para filmes de terror, eu não poderia ser.
Lembro-me que não conseguira dormir após as cenas chocantes. Mamãe trabalhando, juntamente com papai. Tardes entediantes, se não fosse o terror emocionante.
Chegava da escola e após almoçar, assistia cenas grotescas, de um terror torpe, apelativo e indescritível.
Terror esse, que mesmo não sendo para a minha idade, não era controlado pelas autoridades.
Assistias tudo. Na tormenta da ditadura, a liberação imatura.
Passava-se no período da tarde, quando as crianças chegavam da escola e inexistia a comunhão dos amiguinhos de plantão. Da bola a própria solidão.
Geração do videogame. No adulto a ausência de tempo.
Eles sabiam, sabiam muito bem o que passar e qual era o público assistindo a estar.
Inexistia controle. Inexistia censura.
Censura apenas o que era conveniente.
Desde o bonecos macabros, tenebrosos. Sangue. Cine trash, com seus filmes de zumbis e mutilações.
O lixo televisivo que eu gostava tanto. Que me fez assim. Se soubesse não assistiria tanta bobagem.
Tudo era transmitido naquela fatídica e ardilosa televisão.
Amedrontado e assustado. Cenas que deveriam ser estritamente regulamentado, para que não fosse transmitido neste horário.
Nossa geração foi ensaiada, para verificar os danos que essa exposição em idade tenra a cenas grotescas, causa mal a saúde psíquica.
Hoje inexiste esse tipo de exibição. Nos erros dos antepassados, o aprimoramento dos seus próprios atos.
Hoje continuo a assistir os filmes de terror. O mesmo encontra-se sem graça. Cenas de horror que não mais me impressionam. Do terror alheio, não mais a minha dor em devaneio.
Transfigurou-se o estilo adotado. Insignificância do terror aprimorado.
Quando vejo cenas que deveria ser impressionantes, pela mazela constituída, inexiste o tormento mental, na minha mente não constituída.
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