Por Danilo Pelloso

UMA VIAGEM ALUCINADA
10 de dezembro de 2011


Estradas e mais estradas. Algumas planas, outras inclinadas. Estradas e mais estradas.
Pensava eu nunca chegar ao destino prometido, ou se continua com Oscar na direção, chegaria mais cedo no próprio descaminho da alma aflita e com erros acometidos.
Oscar com seus gracejos, divertido. Motorista exemplar. Literal. Cumpria todas as obrigações, conforme as placas, as margens da rodovia.
Isso era o que eu temia.
Oscar e eu, naquele veículo, cuja única conveniência era a economia de combustível por ser um motor apaziguado.
Oscar olhava-me com um sorriso afável, mas que a mim fugia a interpretação amável pelo ato impensado.
Inexistia o conhecimento se o mesmo estava a fazer peripécias no ato de dirigir ou se era intrínseco ao seu ser a desarmonia na arte da pilotagem.
Descendo a serra de Brotas, São Paulo, sentido Itirapina.
As placas sinalizadoras informavam radares a frente. Velocidade máxima permitida 70km/h.
Essa era a inebriante e alucinante viagem de Oscar e eu.
Havia apenas um equivoco.
A velocidade permitida as vezes não é a mais apropriada para determinadas situações.
Oscar respeitava a sinalização. Essa era a minha incompreensão o meu medo de não mais voltar da viagem com Oscar.
Uma carreta, carregada com material inflamável, cujo freio já estava desgastado. Não havia mais nada. Todas as tentativas já tinham sido sanadas.
Oscar continuava a frente do grande veículo desgovernado. Não havia possibilidade do mesmo passar.
Rodovia com pista única, com trecho de serra. Motorista destemido, com a cabeça cheia de m...
Meu coração disparou. Não entendia a atitude de Oscar para aquela situação desesperadora.
Desesperança da vida corriqueira? Traição da companheira? O que fazia Oscar simplesmente tomar aquela medida tenebrosa.
Em seu rosto um sorriso tranquilo de despreocupação com a ocasião.
Estava em outro mundo.
Inclinei o meu corpo e disse para acelerar mais um pouco. Havia uma carreta de combustível atrás de nós. Faixa de freio queimando e eu com as mãos juntas orando.
Oscar com o mesmo sorriso inclinasse para mim, respondendo de forma compassada e calma: “Não vou acelerar amigo, esse trecho possui radar e no cumprimento da legislação eu quero estar”.
Meu coração, num ritmo descompassado, batia mais e mais.
Parei e refleti uma reflexão desesperada, reflexão esta que circundava a minha morada.
Com Oscar nunca mais tive o desprazer de andar. Medo? Aflição? Deve ser, porque para com esse cidadão, não darei o prazer de morrer em vão.

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