Por Danilo Pelloso

O PROPRIETÁRIO DO UNIVERSO
29 de dezembro de 2011


No salão para lapidar as arestas da minha cabeleira, que se mostrava em discordância com a verdadeira criança, estou eu diante do inusitado.
Discussão filosófica. No salão de beleza.
O cabeleireiro desacreditado na arte de crer no inacreditável discutia com o cliente que acreditava de forma não analítica a crer, em tudo que fora dito pela sua crença, que a meu ver parecia infalível de tanta devoção, devoção inocente semelhante à infância contente.
Ausenta-se maturidade a ocasião? Acredito que não. Os ânimos estavam exaltados.
O cliente, num cruzado de direita, proferiu ao cabeleireiro que a ausência de fé do mesmo não resolveria problema algum.
Houve um revide a altura. Através dos dizeres enfáticos, o cabeleireiro lembrou o cliente que o mesmo não fora curado do transtorno mental que o acometia.
Crenças desacreditadas?
A discussão aumenta e a agressão verbal substituiu a discussão filosófica.
Sócrates, Platão? Não, não. Eu quero é mais um tostão.
Ambiente competitivo acirrado. O cabeleireiro, num JAB de palavras encaixadas, complementou dizendo ao cliente que o mesmo continuava louco, Nada adiantava orar, já que o mesmo continuava a imitar os passarinhos que estão a cantar. Assobios acompanhados de um estranho murmúrio: prum, prum, prum, prum.
O cliente nervoso, utilizando de palavras impróprias para aquela situação, saiu do grande salão, proferindo maledicências que fora neutralizada pelo cabeleireiro com um cruzado de direita, concedendo o nocaute, através do paradigma: Se Deus é o dono do mundo, porque sua religião pede recursos em nome de Deus?
Nocauteado, desfalecido, ensangüentado, mas bonitinho e com o cabelinho cortado.
O cliente retirasse do local desconsolado, voltando a imitar o passarinho, ausente do próprio ninho. Assobiando, complementava com prum, prum, prum.
Observei toda a situação pensando: ás vezes é melhor crer na ilusão do que viver a realidade da verdadeira verdade.
Sai com o cabelo cortado, mas daquela discussão importante não quis fazer parte.
Discussão filosófica. Se Sócrates na Grécia, ao seu Francisco em Lucélia.

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