Por Danilo Pelloso

O DOUTOR DA MODERNIDADE
29 de dezembro de 2011


Adentrando nas instituições públicas, locais onde todos estão concentrados nos seus sublimes e essenciais afazeres, objetivando o cumprimento do dever ao bem social.
Não sei se é bem assim, mas falei bonito.
Metafísica do corriqueiro. Discurso ensaiado.
A máquina de escrever a frente do funcionário. Ele, possuidor de um olhar ameaçador para com aquele instrumento rude, olhando de baixo para cima da máquina de escrever.
Ela não se movia, nem ao menos uma tecla se mexia.
O cidadão apertava as letras e depois aguardava a resposta para saber se houve proveito em sua investida.
Assemelhasse a um jogo de felinos e roedores. Havia um aparelho na mão do doutor.
Funcionário mestre na arte de não saber coisa alguma.
Aparelho pequeno, parecendo um mimo ganhado em festejos de final de ano. Componentes eletrônicos. Um pendrive. Um dispositivo para armazenar dados, podendo os mesmos ser gravados ou disponibilizado.
Componente moderno, a ser utilizadas em máquinas modernas. Computadores por sinal.
Estava a observar toda a cena. Não entendia o motivo. Havia uma combinação desarmônica entre o pendrive e a máquina de escrever.
Toc, toc, toc, toc.
Era o único barulho escutado advindo daquela máquina na qual escrever é a única atividade que a mesma sabe fazer.
O Doutor, mestre no desconhecimento, olhava a máquina de lado como se fosse um computador. Procurara uma entrada para o referido dispositivo.
Eu olhava aquela cena surreal, não acreditando no ocorrido. O que aquele experiente doutor estava a fazer aventurando-se no encaixar naquela fatídica máquina velha e antiga de escrever, um dispositivo que normalmente o computador deveria ter?
Loucura? Obsessão?
Com a curiosidade despertada não conseguira parar de pensar o que aquela mente atormentada estava a realizar.
Perguntei ao doutor o que o mesmo estava a fazer. Quando recebi em resposta ao meu questionamento uma frase que até hoje eu lamento: “Estou a colocar o pendrive na máquina de escrever, porque esse dispositivo serve para tudo, é multifuncional, serve para ser adicionado em qualquer local”.
Acometido e atormentado.
Como uma pessoa com formação em ensino superior, pós graduada, estava naquele estado lastimável, de completo atraso?
Comecei a sorrir da situação e com súplicas pedi a Deus para auxiliar mais esse irmão. Tende piedade de mim.

Voltar para a coluna de Crônicas


© Copyright 2000 / 2011 - All rights reserved.
Contact: Amaury Teixeira Powered by www.nossalucelia.com.br
Lucélia - A Capital da Amizade
O primeiro município da Nova Alta Paulista