Por Danilo Pelloso

NA OBSCURA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO
16 de janeiro de 2012


O ser humano residindo em desagrado, com sua estadia margeando montanhas e rochedos. Um conglomerado em apertos.
Deslizamentos são escutados.
Pessoas soterradas, mães desesperadas. Helicópteros sobrevoando aquele lamaçal desumano.
Repórteres entrevistando todas aquelas pessoas entristecidas, cujo único interesse é apenas a notícia da peripécia natural, aliado com o desespero humano, mundano, material.
Catástrofe? Palavra injusta à bela natureza. Ordem natural das coisas.
Se você reside na base de um rochedo é natural que padecerá das consequências. Acontecimentos do derradeiro janeiro. As partículas do solo descem com a água abraçada caminhando no tilintar. Nunca as vi subirem.
Relembro o relato de uma senhora que habitava a margem de um vulcão. Certo dia, surpreendida pelo sair do dilúvio de lava flamejante escorrendo num curso de fogo montanha abaixo. Surge o questionamento: o que ela esperaria que saísse de um vulcão? Rosas alternadas com jasmim?
Todos dizem residir em área de risco, consequentemente por não ter para onde ir. Concordo, mas a água tem para onde ir se não para baixo?
Na sequência, a necessidade da boa vontade da sociedade, que alias essa sim é a verdadeira peripécia. Inexiste assistência ao irmão. Alguns auxiliam, outros aproveitam para auxiliarem a si mesmos.
O não ter nada contrasta com o perder do todo. Eu não entendo. Outros não possuem coisa alguma, e quando há o brincar da natureza, após alguns meses, adquire tudo. Esquisitices humanas que de humano só tem a palavra.
Oferendas ao não necessitado. Na desgraça de outrem há o enriquecimento de alguns.
No deslizamento, homens enriquecem, outros entristecem, alguns simulando caridade galgam um cargo na sociedade. Inexiste o comum objetivo.
Moedas ao barqueiro. O calor humano repousa no frio do coração desumano. Solidariedade ausente, forma de confrontar a humana realidade que na caridade mente.
(Crônica publicada dia 14 de janeiro de 2012, no jornal Gazeta Regional de Lucélia)

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