Por Danilo Pelloso

CARGO DEUS
16 de julho de 2012


Iniciam-se as inscrições para a nova seleção. Vagas abertas. Exigência: nenhuma. Cargo: Deus. Atribuições: sentar-se numa estofada poltrona, assinando documentos que desconhece. Ler, ou escrever não é necessário. Apenas possuir a onipresença.
Todos os dias o oficial veículo o espera para “importantes” atividades. Óculos escuros em sigilosas ações. No tudo dizer, o nada proceder. Provimento nas nuvens, visto que o cargo é para ser Deus.
Inscrições até o final do próximo mês. Há uma pequena taxa de inscrição. Vagas limitadas. Não ausentasse da participação.
Os candidatos podem procurar as instituições mais próximas de sua residência. Prova no mês subseqüente, com questões de múltipla escolha, cujas respostas estarão bem enfatizadas para que não haja erros.
O gabarito estará disponível antes e depois da escolha. Qualquer dúvida, o candidato deve procurar Deus sabe quem.
Na derradeira seletiva, no final da batalha, surge mais um tolo entre todos os outros, na vaidade em ser o mais novo bobo. Poderoso chefão.
Da aprovação, ao proceder da conquista, substituísse, ao adentrar no trabalho, a gloria, pelas injurias de outrora.
Nhenhenhém por míseros tostões. Entrasse glorioso, mas continuasse desdenhoso, manhoso de pai e mãe.
Frustração interior? Esse é o edital perfeito, para quem da seletiva fez-se seu próprio devaneio.
Do grandioso, ao comum, em apenas um momento. A metamorfose. Do simples cidadão, ao complexo tolo, estável bobo, endeusado irmão.

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