Por Danilo Pelloso
INOCÊNCIA
16 de julho de 2012
Marcas do árduo trabalho, no rabiscado rosto, caminhando a lentos passos. Sacrifício. Crédito. Um mimo bancário? Na agência o homem adentra. Sorridente, o gerente o recebe.
É caffè petit déjeuner, com tira gosto e cortesias. Desassossega-me a disposição do jovem gerente. Poltrona acolchoada. Gentilezas. Com os documentos nas trêmulas mãos, aquele senhor vem solicitar um empréstimo. Quanto cavalheirismo. Bons modos, e costumes para o fatídico juros.
Abastado senhor? - Doutor, seu empréstimo está disponível, e com a menor taxa de juros, comenta o “bondoso” gerente. Taxa reduzida de juros? Ah, ah, meu Deus. Caridoso ehn. Alias fora da caridade inexiste salvação.
Consulta? Análise? Desconfiança? Nem pensar. No calmo rosto, a certeza do pagamento. Atraso de uns, enriquecimento de outros.
O senhor se levanta, estendendo a mão, sorridente pela conquista. Caminha para longe. Sossegado ser. Dinheiro na mala, comenta: - Pensei que por ter dívidas seria uma penúria a obtenção de crédito.
O gerente certo do ótimo empréstimo, sabendo que pelos bem daquele senhor, inexistia o significado da inadimplência, abana com as mãos, para formalidades finais, dizendo: - Volte sempre, senhor Inocêncio.
Aquele homem inclina seu corpo, no distante olhar à comoção, diz, com sorrir desdenhoso: - Desculpe, sou Astúcio. Inocêncio é meu irmão.
O gerente com suas mãos em trêmula face, subtraindo fio por fio da sua escassa cabeleira, pensa: “Puxa vida, o dinheiro certo, tornará minha permanência na gerencia incerta, na mão do Astúcio velho”, e diz: - Ah senhor Astúcio, pensei que fosse o Inocêncio. O Inocêncio velho de guerra.
Crônica publicada no Jornal Gazeta Regional, Lucélia, SP, em 31 de março de 2012
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