Por Danilo Pelloso

O ÁLCOOL DE LORENZO
16 de julho de 2012


Cambaleando. Os pés cruzados, como num balé clássico. Alcoolizado no próprio desatino. Entrasse naquele suntuoso espaço.
Iniciasse os cânticos. O bêbado continua com o corpo inclinado. De um lado ao outro, a procura da verdade. Verdadeira ehn.
Ouvem-se gritos. “Impura alma entre os querubins”. Já pensou Saraf a escutar tamanho despautério? Segurasse as mãos no banco. Vitrais com anjos, olhares serrados. Repreensão.
Por quê? Que acontecimento? Onde estaria? Um devaneio? Cadê o Ramalho? Aquelas ondas. Tire o distintivo de mim. Pétalas ao chão de giz.
As pessoas põem-se a repousar, tombar, cair. O alcoólatra observa toda aquela algazarra. As pessoas chacoalham, em lampejos histéricos.
No inconsciente coletivo, a resposta indevida, não bem-vinda. Inexiste distinção do real para fantasia. A grande quimera da vida. Quimera ou que mer...? Repetições. Óleo do monte. Corrente do fluído miraculoso.
Pessoas no chão. Embaraçadas línguas. Entorpecidos? Não há resposta para a displicente conduta. As frases se repetiam. Pessoas chacoalhavam o corpo, outras gritavam. Algumas corriam. Outras agradeciam.
Trançando as pernas, o bêbado abandona o local, comentando: “Eu embriagado, e todos aqui alucinados. Quanta curtição. É por isso que continuo embebedado, pelo menos se alguém perguntar por que estou no chão, ou falo engraçado, conduzo a responsabilidade ao álcool. A diferença está na taça de ouro com vinho. Meu tilintar é no plástico, bebendo no descartável”.
Crônica publicada no Jornal Gazeta Regional, Lucélia, SP, em 14 de abril de 2012

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