| EDUCAÇÃO
& CIDADANIA
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11/02/2004
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Garoto de ouro
Jovem do interior de São Paulo é
o primeiro no exame das principais universidades do País
Greice Rodrigues
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Mudança:
Raul vai deixar o conforto de casa para morar no campus da
USP de São Carlos
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O estudante que ficou em primeiro lugar nos exames da Unicamp e
da concorrida Fuvest e que de quebra foi aprovado no Instituto Tecnológico
de Aeronáutica (ITA) – esse tido como o mais difícil
do País – não é, como se imagina, alguém
que passa horas mergulhado nos livros. Nem tampouco é um
sabe-tudo. Raul Celistrino Teixeira, 17 anos, mora com a família
na pequena Adamantina, cidade situada a 600 quilômetros da
capital paulista, e não abre mão de sair com amigos,
ir ao cinema, aos bailes e de ficar longas horas batendo papo no
computador. O jovem, que admite detestar gramática, se define
como um indisciplinado na hora de estudar. “Não tenho
um momento certo e dedico poucas horas a rever as matérias”,
garante ele.
Raul optou por cursar física no campus da Universidade
de São Paulo (USP), em São Carlos (SP). Está
um pouco ansioso com as mudanças em seu dia-a-dia. “Por
enquanto, pretendo morar no alojamento do próprio campus.
Sei que vou sentir falta da família, mas agora um novo mundo
se abre para mim. E quero aproveitá-lo bem”, diz. Hoje,
Raul só divide o espaço da casa e as atenções
dos pais – o bancário Raul Teixeira e a dona-de-casa
Liderci – com a irmã de 12 anos, Ludmila, mas ele não
considera isso um problema. “Faço amizades muito facilmente
e valorizo os meus relacionamentos”, completa ele.
Das três colocações, a que mais o empolgou
foi realmente a da USP, notícia que ele recebeu por telefone
– um privilégio reservado apenas aos primeiros da turma.
“Sabia que tinha ido bem nas provas, mas jamais pensei que
ficaria em primeiro lugar. Quando o pessoal da Fuvest me ligou,
não acreditei”, conta. Entrar em uma das melhores universidades
do País não é nada fácil, mas Raul se
diz acostumado a grandes desafios. Aluno bolsista do Colégio
Objetivo, ele já participou de difíceis competições,
como as olimpíadas de matemática, de física
e de astronomia, realizadas por entidades nacionais e internacionais.
Essa última, realizada na Suécia no ano passado lhe
rendeu uma medalha de prata. “Sempre gostei de ciências
exatas. Vou fazer a graduação e me especializar para
trabalhar com pesquisa”, planeja. Enquanto pensa no futuro,
Raul prepara um churrasco com a família para saborear a grande
vitória do presente.
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