MEMÓRIA - O abandono da estação ferroviária de Lucélia
Nossa Lucélia - 16.03.2005

Editorial
Estado precário e de abandono que se encontra nossa Estação Ferroviária, sensibiliza internautas do site Nossa Lucélia

Amaury Teixeira - A estação ferroviária de Lucélia, que, por muitas décadas, foi o grande elo de ligação entre o município e a capital, está caindo aos pedaços e corre o risco de desaparecer, caso algo não seja feito ou pelo Estado, que a deixou em completo estado de abandono, quando começou a onda de privatizações, no governo de Fernando Henrique Cardoso, assim como deixou todas as outras nos trilhos a partir de São Paulo; ou pela prefeitura, que pode, sim, recuperá-la.

Estação Ferroviária ainda em operação
Dezembro de 1993

O escritor José Rocha, um dos defensores da recuperação da estação, conta que chegou a conversar, há cerca de um ano e meio, com o então professor João Pedro Morandi, sobre o assunto.
- "Foi uma conversa ali em frente ao Firpo, onde ele dava aulas. Sugeri ao João Pedro que, se ele fosse eleito, recuperasse a estação ferroviária, a transformasse em um museu, um centro de cultura ou algo semelhante", lembra. "Claro que na época o João Pedro não era prefeito, mas eu via essa grande possibilidade, hoje concreta".

O escritor, que fotografou a estação várias vezes, lembra que a estação está, inclusive, no filme "Homem sem paz", que teve Lucélia como cenário, e que sua preservação é fundamental para a memória da cidade.
- "Sou um saudosista de carteirinha, reconheço, mas não é saudosismo querer a preservação de um símbolo da cidade, porta de Lucélia para muita gente que chegou por aqui em anos idos", acrescenta. "Há meios perfeitamente viáveis de se recuperar e manter a estação de Lucélia. Outras cidades, onde houve vontade, já fizeram isso. Uma parceria poderia resolver o problema. Tenho certeza que o João Pedro, como um homem sensível que é, vai analisar esse assunto com muita atenção".

No novo livro de José Rocha, "A lua do meio-dia", que está no prelo, há três poemas dedicados a Lucélia, e escritos em Lucélia. Um deles fala especificamente da estação. Trata-se de "Os fantasmas de chapéu", reproduzido no final desta mátéria.

Estação Ferroviária já em completo estado de abandono - Dezembro de 2001

Através do portal Nossa Lucélia, internautas lucelienses têm se manifestado a respeito da memória da estação.
É o caso de Alessandra Antunes Cossote Teixeira. Ela, que nasceu em Lucélia, mas vive fora do município há 14 anos, diz que o estado de abandono em que a estação se encontra foi o que mais lhe emocionou quando voltou à terra onde nasceu para rever amigos e parentes.
- "O que mais me sensibilizou foi ver o estado precário e de abandono em que se encontra a nossa Estação de Ferro", disse, por e-mail. "Lucélia, por ser uma cidade jovem, apresenta poucos prédios antigos e históricos, e a estação é um deles, por isso temos que preservá-la".

Alessandra diz que pensou numa ação para reverter o quadro, que, de certa forma, vai na linha do que pensou o escritor José Rocha:
- "Pensei numa ação para reverter esse estado, por parte da sociedade, da prefeitura ou uma parceria entre ambas. Poderia ser uma restauração, poderia ser uma reforma. Aquele espaço poderia ser um museu, uma oficina cultural, uma casa do artesão, um espaço para eventos ou mesmo um comércio, com galeria de lojas".

Leia, a seguir, poema de José Rocha sobre a estação ferroviária de Lucélia, escrito dia 14 de dezembro de 2003:

Os fantasmas de chapéu
A estação ferroviária de Lucélia
é um cenário profundamente triste,
onde dia e noite, noite após noite,
desembarcam fantasmas de chapéu panamá.
É quando chega o trem do tempo,
que apita na curva e ressuscita os trilhos,
enquanto o maquinista,
um velho de dentes de ouro,
chora baixo e murmura que a saudade mata.
José Rocha
Lucélia-SP, 14 de dezembro de 2003


Voltar


© Copyright 2000 / 2009 - All rights reserved.
Contact: Amaury Teixeira Powered by www.nossalucelia.com.br
Lucélia - A Capital da Amizade
O primeiro município da Nova Alta Paulista