Fiscais do concurso de Osvaldo Cruz denunciam calote de empresa organizadora; Prefeitura exime-se de responsabilidade
Nossa Lucélia - 02.10.2026
De acordo com relatos, a Recrutamento Brasil, empresa organizadora do certame, não pagou aos trabalhadores, alterou o portal do concurso sem aviso e não responde aos questionamentosOsvaldo Cruz (SP) - Moradores de Osvaldo Cruz que trabalharam na aplicação das provas do Concurso Público Municipal nº 01/2026 estão denunciando o atraso e a falta de pagamento pelos serviços prestados. O certame foi realizado no dia 2 de agosto, mas, passados quase dois meses, os colaboradores que atuaram como fiscais e equipe de apoio na primeira fase ainda não receberam os valores acordados. Enquanto a empresa organizadora, a Recrutamento Brasil, mantém silêncio absoluto e acumula falhas de transparência, a Prefeitura afirma não ter responsabilidade legal sobre as contratações.
Segundo os relatos dos afetados, o acordo inicial previa que a remuneração seria feita via PIX em até sete dias úteis após a realização das provas. Os valores combinados eram de R$ 90 para quem cumprisse meio período e R$ 180 para quem atuasse nos dois turnos.
“Trabalhei das 7h às 11h, com o valor combinado de R$ 90. Assinamos um contrato, informamos o PIX, mas até hoje não recebemos o valor. Nem uma explicação, nada”, desabafa um dos fiscais que preferiu não se identificar.
A falta de comunicação e o descaso por parte da empresa são as principais queixas do grupo. “A empresa que nos contratou não pagou nenhum dos colaboradores. Ninguém responde ou dá uma posição, nem a empresa e nem a Prefeitura”, afirma outro munícipe prejudicado. O contingente de trabalhadores afetados é expressivo: de acordo com uma das fiscais, apenas na unidade escolar em que ela atuou, havia 26 colaboradores na mesma situação.
Prefeitura aponta responsabilidade exclusiva da empresa contratada - Procurada para prestar esclarecimentos, a Prefeitura de Osvaldo Cruz eximiu-se de qualquer responsabilidade financeira sobre o caso. Em nota oficial, a administração municipal argumentou que os pagamentos “são de inteira responsabilidade da empresa Recrutamento Brasil”.
O município informou que competia exclusivamente à banca organizadora toda a estrutura operacional, o que inclui a seleção, coordenação e remuneração dos profissionais de apoio, ressaltando a inexistência de qualquer vínculo contratual ou empregatício da administração pública direta com esses trabalhadores temporários.
O posicionamento jurídico da Prefeitura encontra amparo no Contrato nº 304/2025, firmado entre o município e a Recrutamento Brasil em dezembro de 2025. O documento, que está disponível para consulta pública no Portal da Transparência, traz termos claros sobre as obrigações da empresa. A cláusula 8.14.1 (alínea 'j') determina expressamente que cabe à organizadora providenciar o “pagamento (inclusive de lanches e café) para as equipes de trabalho que atuarão nos serviços de coordenação e fiscalização”.
Até o fechamento desta matéria, a Recrutamento Brasil não havia se manifestado sobre os atrasos ou respondido às tentativas de contato dos trabalhadores e da reportagem. O espaço segue aberto para o posicionamento da empresa.Fonte: Impacto Notícias>
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