Polícia Civil de Adamantina prende homem indiciado por mutilação e maus-tratos a animais
Nossa Lucélia - 02.10.2026
Caso ganhou repercussão no início do mês passado em AdamantinaAdamantina (SP) - A Polícia Civil de Adamantina, por meio das Delegacias Especializadas DIG/DISE, cumpriu nesta sexta (2) mandado de prisão preventiva contra indivíduo indiciado pela prática de mutilação e maus-tratos a animais no município.
A investigação foi conduzida pelo 2º Distrito Policial, onde foi instaurado inquérito policial e esgotadas todas providências de Polícia Judiciária necessárias ao esclarecimento dos fatos, incluindo a requisição de exames periciais destinados à comprovação dos atos de maus-tratos a animais.
Após a conclusão das diligências e análise dos elementos probatórios reunidos, a autoridade policial indiciou o investigado pelos crimes e representou pelo pedido de decretação de sua prisão preventiva.A medida cautelar requerida pela Polícia Civil foi deferida pelo Poder Judiciário e cumprida nesta sexta-feira por policiais da equipes de captura da DIG/DISE de Adamantina. Após a prisão o custodiado foi conduzido à Delegacia para formalização dos procedimentos de Polícia Judiciária e encaminhado à Cadeia Pública, onde permanece à disposição da Justiça.
Em nota, a Polícia Civil reforça seu compromisso com o combate aos maus tratos contra animais, mantendo permanentemente ações de investigação e repressão, e destaca que a participação da população é fundamental e denúncias podem ser feitas por meio do telefone 197.
Relembre - A investigação foi iniciada após integrantes de um grupo de proteção animal entregarem à Polícia Civil um vídeo que registraria agressões contra um cachorro. O material foi preservado e incorporado ao procedimento.
Durante diligência realizada no imóvel investigado, acompanhada pela reportagem os policiais encontraram três filhotes de cães com as caudas mutiladas, além de segmentos de caudas no quintal. Também foram localizados quatro filhotes mortos e enterrados, além de outros animais mantidos no local.
No imóvel também foram encontradas aves, entre elas um galo que estava amarrado.
Perícia confirmou sinais de maus-tratos - Conforme a Polícia Civil, a Polícia Científica realizou perícia no imóvel e identificou sinais compatíveis com maus-tratos.
Segundo o laudo, os três filhotes apresentavam mutilação das caudas realizada sem medicamentos, acompanhamento de profissional especializado ou condições adequadas. Dois segmentos encontrados no imóvel foram considerados compatíveis com os animais examinados.
A perícia também registrou quatro filhotes de cães mortos e enterrados e diversas galinhas mortas. Durante os trabalhos, não foram identificadas fontes de água ou alimentação destinadas aos animais.
Relatório elaborado por médico-veterinário que acompanhou a fiscalização apontou que os três filhotes apresentavam cortes inadequados nas caudas, com aparentes sinais de infecção e ausência de cuidados veterinários e de administração dos medicamentos necessários.
O documento também registrou sinais aparentes de dor e situação de negligência em relação aos animais.
Vídeo e depoimentos integram investigação - Além das perícias, a investigação reuniu depoimentos de testemunhas sobre as condições encontradas no imóvel, a agressão registrada em vídeo e as circunstâncias relacionadas às mutilações.
Em depoimento, o investigado admitiu ter atingido com uma corda o cachorro que aparece nas imagens. Segundo a versão apresentada, a reação teria ocorrido após uma mordida do animal.
Sobre a mutilação das caudas dos filhotes, inicialmente foi atribuída a responsabilidade a outra pessoa. Uma testemunha, porém, apresentou versão diferente e apontou o próprio investigado como responsável pela prática.
Polícia requereu prisão preventiva - Com base no conjunto de provas reunidas - incluindo vídeo, depoimentos, perícia criminal, relatório veterinário e declarações do investigado -, a Polícia Civil concluiu pelo indiciamento pelo crime de maus-tratos contra cães.
O delegado responsável também representou à Justiça pela prisão preventiva do investigado, autorizada pelo Poder Judiciário e cumprida nesta sexta-feira.
Segundo a Polícia Civil, o pedido contextualizou a gravidade dos fatos apurados e a existência de outros procedimentos envolvendo suspeitas semelhantes de maus-tratos contra animais, incluindo casos relacionados a um cavalo e a uma porca. Essas circunstâncias foram consideradas na avaliação sobre eventual risco de repetição das condutas.
Por que não houve prisão em flagrante - Embora tenham sido encontrados elementos indicativos de maus-tratos durante a diligência, a Polícia Civil explicou que não foi possível determinar com segurança quando as condutas investigadas haviam ocorrido.
O vídeo que deu origem à apuração registra uma agressão durante a noite, enquanto a diligência policial ocorreu no período da tarde. Dessa forma, não havia elementos suficientes para caracterizar que o crime estivesse acontecendo naquele momento.
Por isso, não houve prisão em flagrante. Foi registrado boletim de ocorrência e instaurado posteriormente o inquérito policial para apurar a materialidade, autoria e demais circunstâncias dos fatos.
Com a conclusão da investigação, o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis, onde segue tramitação, agora com o investigado, indiciado, preso preventivamente.
A Polícia Civil ressalta que o indiciamento ocorre na fase investigativa e não representa condenação. A eventual responsabilidade penal será analisada pela Justiça.
Canais de denúncia Denúncias de maus-tratos podem ser feitas diretamente à Polícia Civil (telefone 197), Polícia Militar (telefone 190) ou aos órgãos ambientais, inclusive de forma anônima. A Polícia Civil recebe denúncias pela internet na Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (DEPA). Os casos denunciados na ferramenta são encaminhados para a delegacia de polícia da localidade, para apuração.
O registro das ocorrências é fundamental para garantir a apuração dos fatos e eventual responsabilização dos autores.Fonte: Siga Mais>
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